Celso Brant, inconfidente pós-moderno, gênio e santo, levou a vida amando e estudando o Brasil, buscando respostas lógicas e precisas para os seus 500 anos de atraso e submissão. Um dia, depois de rememorar os anos venturosos do governo Juscelino Kubitschek, no qual foi ministro da Educação, ponderou: “Petrônio, o que nos faz reconhecer um grande homem na história, é quando ele revela à sua volta grandes personalidades...”. Aí foi nomeando as grandes personalidades que brilharam ao lado da Alfa de Juscelino, finalizando: “Até fora da política, Juscelino revelou grandes gênios, veja o Niemayer aí!”.
O governo Lula é o contrário de tudo isso: não revelou nenhuma grande personalidade e destruiu as que tínhamos na mais alta cota e admiração. José Dirceu, o grande baluarte da resistência e bravura cívica, foi desclassificado e impugnado por petequeiros que viviam à sombra do poder, amealhando migalhas caídas da mesa do governo central. Tornou-se um clandestino de si mesmo, um desfigurado no rosto, corpo e coração. José Genoíno, o ex-guerrilheiro, homem de envergadura moral e determinação política, tornou-se um leão-de-chácara do partido dos anjos caídos, reles inquisidor dos justos, um menino de recado do núcleo governamental. Aldo Rebelo, o nordestino de olhos tristes e palavras puras, virou um servo que não fazia graça nem para os amigos do rei, um pobre coitado, que se sujeita a tudo para dormir à sombra do palácio. Luiz Eduardo Greenhalgh, o grande advogado do idealismo democrático, tornou-se um desmoralizado pelos seus, e afogou, derrotado, no mais baixo clero de toda história republicana nestas terras de Cabral. Patrus Ananias, o deputado federal de meio milhão de votos, adorado e amado pelos mineiros, onde se dizia existir o partido Patrus Ananias, depois de fuzilado pelos paulistas, caiu de joelhos frente aos olhos incrédulos da Nação, perdido no labirinto das verbas sociais do governo zero. Ricardo Berzoini, a voz retumbante dos trabalhadores, tornou-se um caça-velhinhos, um troféu institucional de crueldades federais. Lula, o grande patrimônio nacional, o símbolo do sindicalismo, tornou-se um deslumbrado, um burguês qualquer. Longe do povo e de Deus, comprou um avião novinho para poder voar por cima da nossa pobre realidade nacional. E o PT, o grande partido dos trabalhadores, a grande esperança, o detentor dos grandes sonhos nacionais, tornou-se um partido igual aos outros, chamado nas ruas de Partido da Traição, e sendo, em plena luz do dia, achincalhado por Antônio Carlos Magalhães, denunciado por Roberto Jefferson - o segurança da tropa de choque de Collor - e parceiro de fé de José Sarney, Renan Calheiros, Delfim Neto, Henrique Meirelles e Romero Jucá.
Se não bastasse só isso, vemos Roberto Jefferson se tornando uma grande estrela nacional, conquistando fãs Brasil afora. Agora, o ex-integrante da tropa de Collor pode até se dar ao luxo de seguir uma nova carreira, tudo depois do generoso governo Lula. Que decepção! Esta aí talvez seja o maior legado do governo companheiro, um governo menor para gente menor.
O autor, Petrônio Souza Gonçalves, é jornalista e escritor