Senhor diretor:
O JC de 8 de julho trouxe detalhes a respeito do plebiscito sobre a venda de armas de fogo e munição. Chega a ser comovente a maneira pela qual as mentes brilhantes de Brasília resolvem problemas graves, tal como o problema da insegurança e da violência a que estamos sujeitos.
É claro que se o cidadão tem “estopim curto” e/ou não sabe usar uma arma de fogo, não deve possui-la. Por outro lado, se o cidadão tem o equilíbrio emocional necessário e sabe manejar uma arma de defesa, por que não poderia fazê-lo?
Por que deveria morrer como uma galinha na mão de bandidos, sem se defender e sem defender sua família?
Além disso, a proibição do comércio de armas de fogo em nada alterará o arsenal de traficantes, assaltantes, estupradores, seqüestradores, assassinos e toda essa turminha, pois esses companheiros não vão às lojas de caça e pesca comprar um revólver ou uma caixa de balas; nem se dedicam aos esporte de tiro ao alvo, exceto quando o alvo for um cidadão de bem, ou uma mulher, ou uma criança.
Aproveito a oportunidade para sugerir ao Tribunal Superior Eleitoral duas coisas:
1. A realização do plebiscito junto com as eleições de 2006 conseguindo-se, com isso, uma economia entre 200 e 500 milhões de reais, segundo valores publicados na reportagem. Temos que reconhecer, uma economia desse porte seria suficiente para comprar muitos cobertores, muitos agasalhos, muitas cestas básicas, enfim, muita coisa para minorar o sofrimento dos menos favorecidos.
2. A inclusão de mais algumas perguntas no plebiscito, uma vez que “a Câmara votou para saber o que o povo pensa”, conforme disse o deputado João Paulo Cunha. Proponho ampliar o plebiscito para saber o que o povo pensa, além do comércio de armas.
Por exemplo:
* O cidadão de bem deve continuar indefeso e sujeito à violência dos bandidos no Brasil?
* O direito à vida deve continuar a ser decidido pelos criminosos no Brasil?
* O contrabando de armas para o tráfico de drogas deve ser proibido no Brasil?
* Leis demagógicas e lentidão da justiça devem continuar a existir no Brasil?
* O volume de impostos que o povo paga deve ser reduzido no Brasil?
* O retorno dos impostos pagos deve continuar mínimo no Brasil?
* A corrupção, em todos os níveis de governo, deve ser proibida no Brasil?
* O descaramento e a impunidade dos políticos devem ser proibidos no Brasil?
* Incompetência e má fé dos governantes devem ser proibidas no Brasil?
Certamente a lista de perguntas poderá ser aperfeiçoada e ampliada pelos leitores do JC.
Sylvio G. Mello - RG 23.877.650