Economia & Negócios

Venda de eletrodomésticos aumenta

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as vendas no comércio varejista no País subiram 0,40% em maio, comparando-se com abril. Em Bauru, a alta foi observada principalmente pelas lojas de móveis e eletrodomésticos.

O que impulsionou essa estatística foi, de maneira geral, a facilidade de crédito. “Os juros caíram e as parcelas ficaram mais acessíveis aos consumidores”, frisa o gerente de uma loja de departamentos de Bauru, Ângelo Manoel Prieto.

Animado com a movimentação na loja, ele explica que o setor que mais tem atraído a atenção dos clientes é o de informática, juntamente com o de eletrodomésticos. “Os computadores ficaram mais barato com o fim da cobrança de alguns impostos e muita gente está aproveitando para ter um equipamento em casa”, destaca.

Segundo ele, uma máquina que antes custava R$ 2,1 mil, agora pode ser encontrada por R$ 1,2 mil. Apesar da natural desvalorização do produto devido ao avanço da tecnologia, ainda assim, segundo Prieto, o equipamento se tornou atrativo.

O gerente ressalta que o preço de impressoras e máquinas digitais tiveram redução de 20% a 30% neste ano, o que ajudou a torná-las mais acessíveis ao grande público.

Em outra loja de móveis e eletrodomésticos da cidade, o grande destaque do semestre ficou para a linha de som e imagem. De acordo com o encarregado de vendas, Carlos Alberto Benitez, a meta de comercialização atingiu 190% do proposto pela empresa. “Os equipamentos de DVD estão entre os grandes responsáveis por esse crescimento, já que ainda são novidade em muitos lares”, destaca.

Já a linha branca, constituída por eletrodomésticos como refrigeradores e máquina de lavar roupa, teve uma redução de 75% nas vendas. “Mas o movimento é assim mesmo, tem altos e baixos. Numa época, vende-se mais linha branca; em outra, som e imagem. Enquanto um sobe, o outro desce”, explica Benitez.

Ele destaca que o grande responsável por esse boom nas vendas tem sido mesmo o crediário. Os parcelamentos podem ser feitos em até 25 vezes, com juros variando entre 3,99% e 5,99%. Com o cartão de crédito, a taxa cai para 0,99% até 1,99%, mas apesar disso, há uma menor adesão a esse sistema. “Não é todo mundo que sabe lidar com cartão de crédito. As pessoas ainda têm medo de parcelar dessa forma”, acredita.

Pechincha

Enquanto entrevistava o gerente de vendas Ângelo Manoel Prieto, a reportagem pôde observar o poder de negociação que os brasileiros têm conquistado. Diversas vezes o gerente foi interrompido pelos vendedores, que apresentavam propostas de preço feitas pelos consumidores, no intuito de conseguir maior vantagem na negociação. “As pessoas sempre pedem desconto, principalmente quando compram à vista”, destaca.

O casal Edson Domingos e Marilza Soares dos Santos Domingos é a prova desse comportamento. Eles estavam na loja “namorando” uma geladeira nova. “Estamos apenas especulando o preço”, conta a doméstica. Ela salienta que eles têm o costume de sempre pesquisar preço e negociar o mais barato. “Eu faço isso até no supermercado”, lembra.

Eles têm o costume de sempre comprar utilizando como forma de pagamento o crediário. E para controlar os carnês, evitam fazer prestações simultâneas. “A gente só compra outro produto quando acaba de pagar o carnê anterior”, destaca o padeiro.

A atitude do casal é vista como positiva pelo economista Said Yussuf. Ele diz que, quando não é possível fugir do crediário, as pessoas têm de procurar a menor prestação e encontrar aquela que se encaixa no seu orçamento. “O crediário é a opção para quem não tem como juntar o dinheiro e pagar à vista. Então, é preciso aceitar as condições das lojas. Ainda assim, o consumidor deve pesquisar e negociar o plano mais vantajoso”, explica.

Os juros, que são embutidos nas prestações, nem sempre são observados pelo comprador. Por isso, é necessário avaliar bem quanto o produto vai custar no final das contas.

Comentários

Comentários