“Eles não usam cobertor” diz Lucas Correia Watinaga, 6 anos, enquanto passeava pelo Zoológico Municipal de Bauru anteontem à tarde. “Mas não sentem frio”, conclui. Não sentem mesmo. Nesta época do ano, além de recursos técnicos do parque, os próprios animais encontram maneiras de se esquentar e de fugir das baixas temperaturas.
Distantes do habitat natural, o zoológico oferece condições para os animais sentirem-se em casa, em especial os de pequeno porte, mais sensíveis. “Fazemos artificialmente o que eles fariam naturalmente (como ficar em grupos para um aquecer o outro)”, resume o diretor do parque, Luiz Pires.
Nos recintos dos sagüis, por exemplo, são colocadas lâmpadas dentro das tocas. Quando a noite começa a chegar, elas se acendem e transferem calor. “Estes cuidados são para evitar doenças respiratórias, o que é comum nesta época”, lembra Pires. Segundo ele, nos 24 anos de existência do zoológico, nenhum problema grave ou mortes foram registrados devido ao frio.
As precauções para o frio começam geralmente no mês de junho e se estendem até a primeira quinzena do mês de setembro. “Fazemos um controle diário para ver se todas as lâmpadas e aquecedores estão funcionado”, completa Pires.
Os aquecedores são usados para peixes e répteis. Estes, aliás, são os animais que mais sentem frio por não conseguirem regular a temperatura corporal sozinhos. Para aquecê-los, são colocadas placas especiais sob a areia que, ligadas à eletricidade, transferem calor para a areia e esquentam os animais.
Já os outros se viram sozinhos. O diretor do zoológico lembra que não são necessárias adaptações para animais de grande porte e as aves, que têm mecanismos próprios para preservar a temperatura. “Os jacarés, por exemplo, ficam parados e no sol. Eles ganham calor durante o dia e gastam aos poucos depois”, explica.
Hábitos
A temperatura no zoológico é, em média, dois graus abaixo da registrada no restante da cidade. Nos dias mais frios, devido à mata que envolve o parque, a mínima pode chegar a oito graus. “Eles se exercitam menos e entram em atividade mais tarde, por volta das 8h30. Em dias quentes, começam às 7h”, lembra Pires.
Apesar da mudança dos hábitos, a toca não é o local preferido dos animais durante o dia, que procuram o sol para se aquecer. “Dá para aproveitar o passeio”, garante a professora Eliane Ferreira. Nestas férias, cerca de 300 visitantes vão ao parque por dia. Movimento equivalente a um sábado de verão, segundo Pires.