Levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) mostra que, entre maio do ano passado e o mesmo mês deste ano, as empresas de micro e pequeno porte do Estado de São Paulo criaram 293 mil novos postos de trabalho. Segundo o gerente do escritório regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiase, a pesquisa reflete a realidade local, onde a contratação de trabalhadores por parte de pequenos empresários tem desenhado uma curva ascendente nos últimos meses.
Ainda de acordo com os dados da Pesquisa de Conjuntura do Sebrae - estudo da entidade que mede mensalmente os índices de faturamento real, pessoal ocupado e gastos com salários -, maio foi o 11.º mês consecutivo de alta na taxa de ocupação das micro e pequenas empresas estaduais. Somente no mês de maio foram abertas 33 mil novas vagas.
De acordo com Debiase, a expansão do número de empregos no setor é um indicativo de que os empresários estão operando em um nível de atividade mais elevado que o de 2004. As previsões para o segundo semestre também são positivas. Segundo ele, a melhora do mercado interno foi o principal fator que impulsionou os negócios de micro e pequenos empresários no período analisado pela pesquisa.
“O PIB (Produto Interno Bruto) do País cresceu em 2004. Quando isso acontece, automaticamente as pequenas empresas registram aumento de renda porque cresce o nível de atividade delas. Conseqüentemente, a massa salarial cresce e o consumo também, o que gera aumento de faturamento. Com o faturamento ampliado, as empresas contratam mais trabalhadores. As micro e pequenas empresas respondem muito rápido à melhora do cenário econômico”, afirma Debiase.
De acordo com o gerente, a expectativa do setor agora é em relação à queda dos juros no País. Se isso ocorrer, deve haver aumento no faturamento das empresas e os níveis de contratação devem subir ainda mais. Segundo o levantamento estadual, nos primeiros cinco meses deste ano a taxa de faturamento cresceu 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Para o diretor superintendente do Sebrae-SP, José Luiz Ricca, os próximos meses serão decisivos para validar o quadro de recuperação do setor. “A manutenção do pessoal ocupado depende da continuidade do crescimento econômico, algo que vai ser determinado nos próximos meses, uma vez que o impacto das recentes altas dos juros deve ser sentido no segundo semestre pelos empresários”, analisa.
Crescimento
O empresário Vasni de Campos, proprietário de uma distribuidora de ração para cães e gatos em Bauru, conta que contratou cinco funcionários ao longo deste ano. No momento a empresa tem 28 colaboradores ao todo, mas Campos tem grandes planos a serem aplicados nos negócios ainda em 2005.
“Eu tive um problema no ano passado com uma quantidade muito grande de furtos de cabos telefônicos aqui na região da empresa. Isso me prejudicou muito porque 80% do nosso faturamento vem do setor de televendas. Então, por meio do Sebrae eu fiz um financiamento de R$ 40 mil para instalar aqui uma torre que permite a comunicação via rádio”, aponta.
Depois disso, o empresário conta que as vendas não pararam mais de crescer, o que gerou a necessidade de novas contratações. Agora, Campos já pensa em adquirir outra linha de financiamento para investir na atualização dos computadores da empresa e na compra de notebooks para serem utilizados pelos vendedores externos.
“O auxílio do Sebrae é fundamental para os micro e pequenos empresários conseguirem crescer. O dinheiro (no mercado) é muito caro, e no Sebrae os consultores nos indicam o caminho para fazer os melhores investimentos pelos custos mais baixos.”
Outro pequeno empresário da cidade, Maurício Kamada, também está ampliando as atividades da sua fábrica de embalagens e, recentemente, contratou dois novos funcionários.
“Eu financiei a compra de uma impressora para aumentar nossa produção. No momento a empresa está trabalhando com apenas um turno, que em breve já não será mais suficiente para dar conta da demanda. Então, ainda neste ano é possível que iniciemos as operações do segundo e até do terceiro turno de trabalho, o que vai gerar várias outras contratações”, comemora.
A pesquisa estadual do Sebrae utilizou uma amostra de 2,7 mil micro e pequenas empresas, responsáveis por 7,5 milhões de pessoas ocupadas e 28% da receita bruta total do setor formal da economia.