A situação das erosões em Bauru é especialmente preocupante diante da fragilidade de seu solo, mas o poder público admite que as ações de combate e/ou controle são feitas “aos poucos”. A afirmação é do engenheiro ambiental Leandro Razuk Ruiz, diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
“Atualmente, estamos trabalhando na erosão próxima à Eadi, na rodovia Bauru-Marília e no Jardim Colonial, próximo à Unesp, que já está com o aterramento quase completado, faltando apenas algumas camadas de terra e o plantio de vegetação”, enumera Ruiz.
Além das naturais restrições orçamentárias que atingem toda a administração municipal, Ruiz lembra que o combate às erosões é um trabalho conjunto entre várias instâncias do poder público municipal, envolvendo outras secretarias (Obras, Administrações Regionais, Planejamento) e o Departamento de Água e Esgoto (DAE). “Além da participação do Estado, com entra com o financiamento através das verbas do Fehidro”, completa, em referência ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos.
“Antes de fazermos o aterro da erosão, solicitamos os trabalhos de infra-estrutura. A (Secretaria de) Obras precisa fazer os trabalhos de drenagem, com as galerias de águas pluviais, e o DAE tem de arrumar a rede de esgotos. Só então a Semma entra em cena para os trabalhos de recuperação propriamente dito”, explica Ruiz.
Mesmo assim, o engenheiro explica que a Semma precisa estar “sempre vigilante” por conta das especificidades geológicas da região. Ruiz explica que o solo bauruense é formado por arenito argiloso, fácil de ser removido. “Qualquer fluxo de água maior vai formar uma ravina (abertura superficial do solo) e, dependo do caso, em seis meses podemos ter voçorocas (aberturas mais profundas, que atingem o lençol freático) de 10 metros de profundidade”, conta.
“Assim que (uma erosão) começa, temos que elaborar um projeto de contenção da água que está provocando o processo erosivo, colocando dissipadores nas pontas das galerias, fazendo curvas de nível para desviar o fluxo e evitar que a água ganhe velocidade”, descreve o diretor da Semma.
Segundo ele, tal “estado de vigilância” se justifica porque os custos de controle e/ou combate de erosões em estágios mais avançados (boçoroca) são muito maiores, tornando-se em alguns casos inviável técnica e financeiramente. “A ação preventiva representa, em média, um décimo do custo das medidas corretivas. Temos que evitar o que aconteceu no (Jardim) Jussara”, afirma.
Casos mais graves
Ruiz se refere a uma das erosões que mais preocupam a Semma, localizada na cabeceira do córrego Água do Sobrado, na região dos jardins Jussara e Ipiranga. Neste casos, explica Ruiz, a Semma pode atuar apenas com obras de emergência para evitar seu avanço. “Como há um projeto de piscinão para lá, precisamos esperar porque entulhar não é viável. Não podemos fazer algo que vá atrapalhar os projetos futuros”, diz.
O dirigente também elenca entre suas principais preocupações os processos erosivos que se desenvolvem no Parque Roosevelt, no Bauru 16 e no Jardim da Grama, as duas últimas ameaçando a linha férrea que passa nas proximidades.
“No Bauru 16 a erosão já está afetando a linha do trem e, se não houver intervenção, pode até acontecer um acidente. Lá o esgoto e as galerias de águas pluviais estão rompidos, mas o DAE já está fazendo interceptores. Depois que tirar o esgoto, temos que esperar a (Secretaria de) Obras recuperar as galerias”, conta.
No Jardim da Grama, continua Ruiz, os trens já estão até utilizando uma via secundária, pois a principal acabou bastante ameaçada pelo erosão. “Por ali passa a única via de transporte ferroviário para o Mato Grosso, com muito trânsito de cargas de combustível. Não sei se (o solo) agüenta mais um verão”, avalia. Nestes casos, a Semma já teria comunicado as empresas ferroviárias responsáveis pelo trecho, mas sem retorno para eventuais parcerias na recuperação.
Mesmo reconhecendo alguns casos como “mais preocupantes”, Ruiz destaca que todos os casos listados no mais recente levantamento da situação na cidade, atualizado em janeiro deste ano, merecem atenção. “Nossa intenção é corrigir (as erosões) no começo”, garante.
Parcerias
Segundo Ruiz, muitas erosões estão localizadas em áreas particulares, o que representa uma situação especial. “Além de precisarmos de autorização para atuarmos, a prefeitura procura uma parceria com os proprietários para o poder público não fique com todos os custos da recuperação. O problema surge porque nem sempre o dono da terra tem disponibilidade econômica para a parceria”, relata
A erosão do Parque Roosevelt ilustra bem a situação em que a Semma procura parcerias para atacar o problema. “Lá no Roosevelt a Semma não tem condições de agir sozinha. Até arrumamos o entulho, mas precisamos de máquinas para ‘empurrar’ este material para o buraco”, explica.
Neste processo, também entraria um terceiro parceiro - os chamados caçambeiros (pessoas ou empresas que coletam e transportam resíduos da construção civil). A Semma, inclusive, vem tentando organizar uma “associação de caçambeiros” como forma de normatizar a atividade, tanto para direcionar o depósito do material em locais pré-determinados, como para evitar a deposição de resíduo “sujo” (com lixo misturado).
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Ajuda da rodovia
O diretor do Departamento de Ações e recursos Ambientais da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), engenheiro ambiental Leandro Razuk Ruiz, explica que os trabalhos de duplicação da rodovia Bauru-Marília vêm contribuindo para a recuperação de alguns processos erosivos que ameaçavam a região por onde passarão as novas pistas.
Pelo menos três erosões que ainda aparecem no mapa elaborado pela Semma no início deste ano já estão recuperadas ou com os trabalhos quase finalizados. “As erosões próximas da rodovia abertas nas imediações da Eadi e do Distrito Industrial 3 já estão recuperadas. Outra localizada em frente à CTEEP também recebeu tratamento por parte das empreiteiras que atuam na obra viária”, conta Ruiz.
Além disso, a obra na rodovia proporcionou uma outra contribuição importante para a Semma. Como foi grande a remoção de terra para formação do novo leito da pista adicional, o município pôde montar uma espécie de “bolsão de terra” a ser acionado em futuras ações de combate a erosões. “Agora temos terra à vontade e pudemos amenizar a crise que havia até o ano passado”, festeja Ruiz. Segundo revelou o JC no início deste ano, a prefeitura vinha tendo crescentes dificuldades para encontrar terra no perímetro urbano para serviços de construção, tapar buracos e combater erosões. A busca de terra em locais cada vez mais distantes aumentavam os gastos com óleo diesel, máquinas e funcionários.