Bairros

Pesquisador acusa especulação imobiliária

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

O engenheiro civil na área de recursos hídricos Gerson Salviano de Almeida, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) reconhece que as condições geológicas de Bauru favorecem o aparecimento de erosões, mas vê na desenfreada especulação imobiliária dos últimos tempos uma das principais causas dos processos erosivos que atingem a cidade.

Integrante da equipe da Divisão de Geologia do IPT que divulgou recentemente um estudo, com base em dados de 2000, que apontava Bauru entre as 183 cidades do Estado que enfrentam problemas críticos de erosão, Almeida relata que desde a década de 60 apostava-se que Bauru seria uma das cidades com maior índice de crescimento em São Paulo.

“Esta expectativa gerou um processo frenético de especulação imobiliária, com abertura de vários loteamentos”, comenta. Ele lembra que isso pôde ser comprovado por estudos do IPT, com fotos aéreas, que indicavam que, em 1965, Bauru comportava em solos expostos uma população de 300 mil habitantes. “E este número já foi superado”, diz.

Segundo o pesquisador, a primeira ação realizada em um loteamento é a retirada da vegetação. Depois, a abertura de ruas canaliza o escoamento das águas pluviais e com isso começam a surgir processos erosivos. “A infra-estrutura, de responsabilidade da prefeitura, muitas vezes não era feita de forma adequada, por ser muito cara. Com isso, muitos núcleos foram entregues incompletos e a maioria deles tem erosões”, constata.

Para Almeida, a solução do problema das erosões, pelo menos no médio prazo, passa por uma melhor ocupação do solo. “É preciso ver quanto lotes vazios há na cidade e questionar a necessidade de aprovação de novos loteamentos. A prefeitura precisa criar instrumentos para ocupação destes vazios”, receita.

O pesquisador lembra que Bauru possui uma carta geotécnica, elaborada pelo IPT, que indica as condições do solo e os locais mais suscetíveis a processos erosivos. “A Secretaria de Planejamento deve recorrer a este mapa nos pedidos de novos loteamentos e, com base nele, impor recomendações com relação à infra-estrutura necessária para aquela área”, explica.

Almeida acredita que instrumentos como a carta geotécnica são importantes subsídios para o Plano Diretor da cidade, atualmente em fase de elaboração. “Ele (Plano Diretor) pode favorecer o crescimento da cidade em áreas menos sujeitas às erosões”, recomenda. Com estas medidas, talvez a cidade consiga reverter a tendência de sempre manter um número médio de 30 erosões nos últimos anos.

O pesquisador lembra que o combate também é necessário, de preferência na fase de ravina (sulcos superficiais, que não atingiram o lençol freático). “Nesta fase, só o redirecionamento das águas resolve o problema”, diz. Já quando o quadro é de voçoroca (atinge o lençol), adverte, não é preciso chover para que haja crescimento. “As minas carregam solo e a evolução acontece durante 24 horas”, revela.

“O investimento para combater erosões é muito alto, por isso é importante haver políticas para não permitir novos casos. Aí, ao longo do tempo, é possível resolver o problema investindo no planejamento e vigiando a abertura de novos loteamentos”, conclui o pesquisador.

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