A cirurgia para redução do estômago, ou cirurgia bariátrica, começou a ser realizada no Brasil na década de 90. Ela é indicada em geral às pessoas com obesidade mórbida, cujo índice de massa corporal (IMC) é igual ou superior a 40kg/m2, e que não conseguem perder peso pelos métodos tradicionais. Esse nível de obesidade leva a problemas de saúde e pode colocar em risco a vida do paciente.
“Utilizamos o Índice de Massa Corpórea (IMC) e indicamos a cirurgia para aqueles pacientes que têm esse índice acima de 40 ou que têm de 35 a 40 com doenças associadas, como a diabete, a hipertensão, apnéia do sono”, diz o cirurgião de Bauru Wagner Schwerdtfeger, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica.
Segundo ele, os pacientes necessitam de avaliações endocrinológicas, psiquiátricas ou psicológicas antes da indicação cirúrgica, com o objetivo de descartar doenças associadas que possam estar envolvidas na origem da obesidade, ou tratá-las antes do procedimento.
A principal mudança com a realização da cirurgia é a significativa diminuição da quantidade de alimentos ingeridos, devido à redução do estômago e o grau de absorção do intestino, que é modificado.
Existem diferentes tipos de cirurgia para a redução do estômago, que estão classificadas como restritivas e mistas (restritivas e disabsortivas). Os primeiros métodos levam à perda de peso porque restringem a quantidade de alimento que o estômago comporta. Enquadram-se neste procedimento o uso do balão intragástrico, a banda gástrica ajustável e a cirurgia de Masson.
Com eles, a pessoa perde a capacidade de comer grande quantidade de comida e os alimentos devem ser bem mastigados. Um risco comum são os vômitos, causados quando o estômago recebe uma quantidade maior de alimentos do que pode, agora, suportar.
As cirurgias mistas envolvem a restrição a ingestão e a disabsorção do alimento ingerido, como a chamada Fobe-Capella, realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). São hoje os procedimentos mais comuns para a perda de peso. Além da restrição do estômago, é feito um desvio parcial do intestino delgado, reduzindo as porções que absorvem as calorias e os nutrientes. Quanto maior o desvio, maior o risco do paciente apresentar deficiências nutricionais, como anemia.
“Têm pacientes que buscam essa cirurgia como uma finalidade estética. Mas isso é de alto risco, porque aí o indivíduo pode se desnutrir”, diz Bruno Zilberstein, chefe do serviço de cirurgia da obesidade mórbida do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
Embora pouco freqüentes, as complicações mais observadas devido à cirurgia são trombose venosa profunda, embolia pulmonar, infecções pulmonares, infecções nas incisões cirúrgicas, infecção urinária e fístulas digestivas (abertura nos locais de grampeamento ou sutura do reservatório gástrico).
Além do método cirúrgico convencional, a redução do estômago pode ser realizada por via laparoscópica, na qual são feitos pequenos orifícios no abdome e a operação é realizada por meio de vídeo. Na avaliação de Schwerdtfeger, esse método representa evolução no campo da cirurgia bariátrica, com expressiva diminuição das complicações pós-operatórias.
“Há uma série de vantagens. Ela não é invasiva, há menos lesão de estruturas, o paciente apresenta melhor recuperação”, enumera. Entretanto, o custo desse tipo de procedimento, que hoje não é coberto pelo SUS, é bem maior. Somente com material, os gastos chegam a R$ 10 mil, enquanto na cirurgia convencional o custo é de aproximadamente R$ 4 mil.
Segundo Schwerdtfeger, o índice de mortalidade pela via laparoscópica é de 1% e na cirurgia convencional de 3%.
O cirurgião lembra que cada paciente deve ser avaliado para a escolha e evolução do tratamento mais adequado.
Após a realização da cirurgia, Schwerdtfeger exige que seus pacientes assinem um termo de compromisso, assegurando que realizarão tratamento psicológico. O cirurgião também destaca a necessidade de acompanhamento nutricional e realização de exercícios físicos para o sucesso do tratamento.
Cirurgias restritivas
Técnicas que consistem em construir um pequeno reservatório no estômago (30 ml) que se comunica com o restante do órgão e que tem seu esvaziamento retardado por um anel, impedindo que se coma grandes volumes de comida. Os métodos restritivos levam a perda de peso apenas pela restrição à ingestão alimentar. No detalhe, utilização de banda gástrica ajustável.
Cirurgias mistas ou combinadas
Nos métodos combinados, há construção do pequeno reservatório gástrico, com anel, assim como a exclusão de um pequeno segmento intestinal. As cirurgias envolvem a restrição a ingestão alimentar e a disabsorção do alimento ingerido.