Polícia

DIG investiga 20 casos de golpes aplicados por telefone

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Não forneça dados pessoais por telefone em hipótese alguma. Este é o princípio básico que deve ser adotado pela população para evitar golpes de estelionato, alerta o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), José Jorge Cardia. Ele está investigando 20 casos envolvendo telefonia fixa e móvel.

De acordo com ele, várias modalidades de golpes envolvendo a telefonia fixa e móvel estão sendo aplicados na cidade. A vítima só descobre quando vai comprar a prazo e descobre que seu nome está na lista dos inadimplentes dos sistemas de proteção ao crédito.

O golpe do telefone fixo usa mais um dos serviços de telefonia, a transferência de ligações, explica Cardia. “Aqui em Bauru, haviam 11 linhas instaladas em um poste que ficava em frente a uma casa que estava para alugar. As ligações desse telefone fixo eram transferidas para um celular de um golpista. Isso é possível porque a companhia liga os aparelhos até o poste e quem deve fazer a instalação no interior da residência é o assinante.”

Caso semelhante ocorreu recentemente no Parque Roosevelt, onde três linhas telefônicas estavam instaladas num poste. As ligações eram transferidas para um celular que estava com uma quadrilha de estelionatários que vendia tratores na Grande São Paulo.

Outra quadrilha agiu em Bauru vendendo carros como se o telefone estivesse instalado na rua Aparecida. “Apuramos que o celular que recebia as ligações do fixo estava na Bahia.”

O caso mais grave registrado em Bauru pela DIG/Garra foi contra um bauruense que está com seu nome no Serasa. A conta não-paga é de pulsos feita por oito linhas instaladas em São Vicente em seu nome. “Ele nunca foi para aquela cidade e não pediu a instalação dos telefones fixos.”

Segundo o delegado só a investigação policial poderá esclarecer a situação e livrá-lo do problema. “A vida da vítima ficou complicada. Ele descobriu porque foi fazer uma operação bancária e seu nome estava na lista dos inadimplentes.”

O que se presume, na opinião de Cardia, é que as instalações podem ser feitas por telefone. “Estamos solicitando ao juiz que peça às empresas as informações sobre os procedimentos para instalação e habilitação de telefones, mas é preciso que a população fique atenta para não se tornar vítima. Me parece que cada empresa adota uma forma. Quero saber qual é a segurança que o usuário tem.”

Várias quadrilhas

Cardia alerta para que a população não forneça dados via telefone. “As quadrilhas pegam o endereço e os dados pessoais e com eles aplicam vários tipos de golpes. Pedem a instalação de telefones fixos e a conta fica no nome da vítima.”

Outro meio usado para aplicar golpes é quando a vítima perde seus documentos e não avisa a polícia para bloquear. Com eles, o estelionatário pode efetuar compras, abrir conta bancária e mandar instalar telefones fixos em nome da vítima.

Na DIG/Garra de Bauru há 20 casos envolvendo a telefonia fixa e móvel sendo investigados. As investigações são demoradas e enquanto a vítima não conseguir provar que não foi ela a autora do pedido da instalação dos telefones, seu nome continuará na lista dos inadimplentes, avisa Cardia.

Nesses casos, segundo ele, a vítima tem que fazer um Boletim de Ocorrência. “As investigações são iniciadas a partir do registro. Elas são demoradas porque é preciso ordem judicial para a quebra de sigilo telefônico.”

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