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Apesar de ameno, inverno muda hábitos do bauruense

Da Redação
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O inverno bauruense deste ano está longe de ser o mais rigoroso do País. Até ontem, a menor temperatura registrada na estação foi 9,8 graus. Bem mais amena se comparada aos 3,4 graus negativos que a cidade de São Joaquim, em Santa Catarina, por exemplo, já registrou. Ainda assim, os graus a menos no termômetro são suficientes para deixar alguns bauruenses mais preguiçosos ou, em alguns casos, mais empolgados com a estação.

A chegada dos dias mais frios, por exemplo, motivou o psicoterapeuta Ricardo Mokdici a reativar a lareira. “Já acendi umas três vezes, mais do que no ano passado. Em Bauru não faz muito frio. Se acende pouco, mas se acende”, reconhece.

Objeto decorativo no verão, a lareira torna-se a vedete da casa de Mokdici nesta época do ano e vira ponto de encontro para os amigos. Além do calor da lareira, caldos quentes e vinhos completam o ambiente. “O clima fica parecendo com os de casas da Europa. E esquenta mesmo, dá para ficar apenas com uma camiseta”, lembra.

De hábito caseiro e “friorento”, como mesmo diz, Mokdici faz a alegria de pessoas como Luiz Carlos Sartori, artesão que confecciona fornos de barro e “mais lareira do que churrasqueira” no mês de julho. “Este mês já fiz três lareiras. Este inverno está melhor do que o do ano passado. Mesmo não sendo muito frio, muitos procuram para decorar a casa e, quando chega o frio, acabam usando”, explica Sartori.

Além de lareiras, sistemas de aquecimento de ambientes, como equipamentos de calefação são mais procurados. A proprietária de uma loja destes serviços, Patrícia Mainini Gomes, conta que a venda de aquecedores aumenta cerca de 20 a 30% no inverno. “O bauruense não está acostumado com o frio (por isso procura este tipo de produto)”, explica.

Dentro de casa

“Sou daqueles que se escondem no frio”, brinca Mokdici. Ele e pelo menos 50% dos alunos de uma academia onde a coordenadora do departamento aquático, Rosana Fittipaldi, trabalha, nã compareceram à aula ontem. “Foi um susto! Hoje (ontem) não veio ninguém”, exclama. Resultado da massa de ar frio que chegou à cidade no fim de semana, a segunda-feira mais fria assustou os freqüentadores, principalmente os das aulas de natação. “Hoje (ontem), na turma das 6h, vieram dois alunos; normalmente vem cinco”, lembra Fittipaldi.

Mesmo sem a queda de temperatura inesperada de ontem, a freqüência diminui cerca de 25% durante todo o mês de julho. Porcentagem que já foi maior em anos anteriores. “Não tivemos muito frio este ano e algumas pessoas não querem descuidar do corpo”, acredita. Segundo ela, são as crianças e as pessoas da terceira idade que mais faltam nesta época.

Para segurar os alunos, a professora e coordenadora de outra academia, Janaina Flausino investe na motivação. “Fazemos promoção e procuramos manter os alunos motivados. Hoje em dia as pessoas estão mais conscientes da importância de se fazer atividade física no inverno”, lembra Flausino. Apesar do pouco frio da cidade, a professora entende porque cerca de 15% dos alunos fogem das piscinas ou das salas de musculação nesta época. “As pessoas estão acostumadas com o calor aqui. Por isso, quando esfria, fogem por alguns dias. Mas depois voltam.”

É o que garante a cabeleireira Rose de Araújo. Ela não fugiu da academia, mas preferiu deixar a filha Karime, 6 anos, fora das aulas de natação nestes dias. “Não tem condição. Ela sente muito frio. Mas assim que melhorar eu volto.”

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Mais frio

Se depender das previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, alguns alunos terão mais alguns dias de frio para alegar o sumiço das atividades físicas em clubes e academias. Até quinta-feira as temperaturas mínimas variam entre 8 e 10 graus, e as máximas devem ficar entre 15 e 17 graus.

Segundo a meteorologista Rita Cerqueira, há possibilidades de chuvas isoladas na quinta-feira e, na sexta-feira, uma nova frente fria vinda do Sul do Brasil deve se aproximar do Estado de São Paulo. Notícias ideais para o psicoterapeuta Ricardo Mokdici. “Já estava voltando para casa pensando: ‘Será que tenho madeira para acender a lareira?’”

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