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Incra e a devastação


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Não sei se absurda seria a palavra mais correta para demonstrar minha indignação com relação à proposta do Incra, em declarar como improdutiva a área de reserva florestal no vizinho município de Agudos, mais conhecida como Água do Pelintra.

Não é possível que com tantas áreas já devastadas e que servem apenas para a especulação imobiliária este Instituto resolva desapropriar para fins de reforma agrária uma das poucas áreas de nossa região que ainda consegue abrigar uma imensa quantidade de espécies de nossa fauna, inclusive muitas delas já na lista oficial de animais em extinção do Ibama, como é o caso do Lobo Guará, Lontra, Onça Parda, Jaguatirica, Gato do Mato e Sucuri, entre outras.

Qual interesse maior estará mais uma vez por traz desta ação tão danosa ao meio ambiente? Será mesmo que o único intuito é o de beneficiar algumas famílias que receberão alguns poucos alqueires de terra, e que, diga-se de passagem, de pouquíssima qualidade para a agricultura?

Por que não realizar a reforma agrária nas terras dos plantadores de maconha, ou nas terras adquiridas de modo ilícito ou com dinheiro sujo?

Sabemos que a atual legislação permite em nossa região a derrubada de até oitenta por cento da área de mata, mantendo-se os vinte por cento restantes como área de reserva legal. Não tenha a menor dúvida de que aqueles proprietários rurais que por convicção ou respeito à natureza mantêm uma área maior do que estes vinte por cento preservados, irão agora pensar duas vezes em mantê-las, tendo em vista o medo de terem também estas áreas desapropriadas em nome da reforma agrária. O que é um absurdo!

Os órgãos responsáveis pela vigilância de nossas reservas têm que se posicionar contra e não permitir, sob qualquer pretexto, a dilapidação do patrimônio ecológico, que pertence à coletividade. Parabéns ao Ministério Público, que já iniciou as investigações sobre o assunto. Vamos todos nos manifestar contrários a esta proposta. Os sem-terra merecem terra, mas não às custas da degradação ambiental.

O autor, Luiz Antonio da Silva Pires, é diretor do Zoológico de Bauru

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