Após suspender os serviços de urgência e emergência dos prontos-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga por falta de médicos, no início deste mês, as unidades passaram a trabalhar como redes básicas de saúde, com agendamento prévio para consultas. A mudança, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, já teria causado queda no número de atendimentos nos PS Central, Adulto e Infantil, e no PS do Jardim Bela Vista. Para a administração, a oferta de consultas teria tornado desnecessária a procura dos serviços de urgência.
O levantamento feito pela Secretaria Municipal da Saúde, divulgado pela assessoria de imprensa da prefeitura, comparou os atendimentos de urgência e emergência entre as duas primeiras semanas de junho e julho. A soma das fichas preenchidas durante os 15 dias mostra que o atendimento diminuiu 15,3% no PS Central e 3,2% no Pronto Atendimento Infantil (PAI). No PS do Bela Vista, o levantamento comparou apenas os atendimentos realizados nas primeiras semanas de junho e julho. Neste caso, nos primeiros dias deste mês o PS teria feito 1.061 atendimentos contra 1.227 no mesmo período de junho, o que representaria redução de 13,5%.
Conforme nota divulgada pela assessoria de imprensa, a redução seria conseqüência da mudança de comportamento da população, que teria passado a procurar as unidades de saúde para consultas ambulatoriais e, por isso, diminuído a procura pelos serviços de urgência e emergência. Como exemplo, a nota lembra as unidades do Mary Dota e Ipiranga, que voltaram a oferecer consultas com agendamento, das 9h às 21h, e onde os médicos estariam atendendo o dobro do tempo.
Considerado um dos principais motivos para a redução dos atendimentos de urgência e emergência, o atendimento com consulta agendada divide opiniões dos usurários da unidade de saúde da Vila Ipiranga. Para Natália Alcântara de Oliveira, a mudança na unidade facilitou o agendamento de consultas com pediatras. “Antes ficava esperando mais de uma hora e meia e tinha que marcar com um mês de antecedência. Hoje (ontem) eu vim e marquei para o dia 8 de agosto”, conta.
Pacientes que necessitam de consultas com ginecologistas, entretanto, afirmam que a espera não mudou. “Tive que chegar às 5h30 para conseguir pegar uma desistência e ser atendida”, afirma Ana Maria Paula Brito. Segundo Áurea Quirino da Silva e Josefa Lúcia Cunha, apesar da espera pelo agendamento ser menor, são distribuídos poucos números de atendimento e, assim como Brito, têm que chegar por volta das 5h para aguardar desistências. “Não mudou muito”, conclui Silva.