A dispensa de pacientes sem fazer hemodiálise devido à quebra de máquinas e falta de insumos para o procedimento e a suspensão de mamografias por causa de problemas nos aparelhos usados para o exame abriram uma crise na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administra o Hospital de Base, o Hospital Manoel de Abreu, a Maternidade Santa Isabel e o Instituto de Mama, todos unidades que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ontem à tarde, a Direção Regional de Saúde (DIR-10) enviou ofício à direção da entidade no qual cobra que, em 24 horas, sejam dadas explicações sobre os problemas nos dois serviços.
A DIR-10 também anunciou, através da assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde, que até o final de semana técnicos da Vigilância Sanitária vão vistoriar os setores de hemodiálise e mamografia para averiguar o que está acontecendo. Por outro lado, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que é médico e atende no Instituto de Mama, afirma que os problemas na AHB são resultado de falhas no gerenciamento da entidade.
Como o JC publicou na edição de ontem, cinco renais crônicos foram dispensados anteontem do Hospital de Base sem fazer hemodiálise porque cinco das 21 máquinas que fazem a depuração do sangue estavam quebradas. Para agravar ainda mais, faltou a solução necessária para o procedimento. As mamografias estão suspensas porque os dois aparelhos da AHB – um no Instituto de Mama e outro na Maternidade Santa Isabel – estão quebrados.
Para Tobias, falta gerenciamento. “O mamógrafo do Instituto de Mama está quebrado há mais de 40 dias. Eu venho cobrando para que seja consertado. E outra coisa que já falei: este é um aparelho moderno que permite realizar um exame para fazer punção, seria o único na região. Mas para isso era preciso instalar uma peça no mamógrafo nos dois primeiros anos de garantia do aparelho. E perderam este prazo. Agora a empresa cobra US$ 10 mil”, revela.
O deputado avisa que o Estado não vai permitir falhas no gerenciamento da AHB. “Já temos cobrado a diretoria e vamos cobrar novamente. O Estado ajuda a AHB mais que qualquer outro hospital. Recentemente foram autorizados mais de R$ 2 milhões para a associação”, frisa.
Tobias adianta que se continuarem ocorrendo problemas no atendimento médico à população, a Secretaria de Estado da Saúde poderá descredenciar a AHB de alguns serviços hoje oferecidos, como a hemodiálise. “O Hospital Estadual (Arnaldo Prado Curvêllo) está começando a construir uma ala para hemodiálise. E esse serviço, que hoje é feito no Hospital de Base, pode ser transferido para o Hospital Estadual”, sustenta.