Geral

FOB aponta fluoretação adequada

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Após analisar por um ano a concentração de flúor na água do abastecimento público de Bauru, com coletas mensais, uma equipe da Faculdade de Ondontologia de Bauru (FOB) concluiu que a fluoretação, que ajuda a reduzir a incidência de cárie dentária, é adequada. Das 737 amostras de água coletadas e analisadas pela equipe entre março de 2004 e março deste ano, cerca de 85% apresentaram concentração de flúor variando entre os limites mínimo e máximo aceitáveis; 13,03% inaceitáveis e 2,31% inadequadas.

Foram analisadas amostras da água produzida pela Estação Tratamento de Água (ETA), que abastece 44% da população da cidade, e dos 27 poços artesianos, que atendem os 56% restantes. As amostras foram coletadas em 19 setores da cidade, de torneiras de órgãos públicos como unidades básicas de saúde, escolas estaduais e municipais, e de residências.

“Comparados com dados de estudos prévios realizados na cidade, foi observada uma melhoria nas condições de fluoretação da água de abastecimento de Bauru, um ano após a implantação do heterocontrole”, diz o relatório da pesquisa coordenada pelos professores da FOB Marília Afonso Rabelo Buzalaf, Irene Ramires e José Roberto Pereira Lauris.

O Ministério da Saúde preconiza que a concentração de flúor na água deve ser entre 0,6 e 0,8 miligramas por litro. A pesquisa considerou “aceitável” a amostra que apresentou teor de flúor entre 0,55 a 0,84 miligramas por litro e “inaceitável” quando o teor de flúor está fora do intervalo estipulado.

O flúor na água é importante para reduzir a incidência de cárie, mas o excesso do produto no organismo pode causar manchas, linhas esbranquiçadas, colorações acastanhadas e até alterações no formato dos nos dentes das crianças.

Nos níveis adequados, o poder preventivo da água fluoretada em relação à cárie é de 40% a 70%. Tem, ainda, potencial para reduzir a perda de dentes em adultos entre 40% a 60%. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e divulgada no início deste ano mostra que a saúde bucal dos jovens brasileiros vai muito mal: 45% dos adolescentes com 18 anos já perderam pelo menos um dente e cerca de 2,5 milhões deles (13% ) nunca sequer visitaram o dentista. Em Bauru, onde a fluoretação já ocorre desde 1975, a média é de quase um dente e meio cariado, perdido ou obturado em crianças de 12 anos (idade/referência para avaliações desse tipo). “Essa proporção não é negativa uma vez que se aproxima da média de apenas um dente cariado, perdido ou obturado nessa faixa etária, conforme recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde)”, observa o estudo.

Em 1990, em Bauru era registrado uma média de 3,97 dentes cariados, perdidos ou obturados em cada criança. Entre 1976 (quando a média chegou a 9) e hoje, houve uma redução na prevalência de cárie dentária de cerca de 85% no município.

____________________

Ministério da Saúde

Para o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que diariamente analisa a água distribuída à população, a concentração de flúor está dentro do preconizado pelo Ministério de Saúde, entre 0,6 e 0,8 miligramas do produto por litro de água. Quando a análise aponta concentração diferente do estabelecido pelo Ministério da Saúde, imediatamente os técnicos da autarquia fazem a correção, garante a assessoria de imprensa do órgão.

O flúor, assim como o cloro, é misturado à água através de bomba dosadora, instalada no poço profundo e na Estação de Tratamento de Água (ETA). A autarquia acredita que a Faculdade de Ondontologia de Bauru (FOB) concluiu que 13,03% das amostras de água analisadas estavam com concentração de flúor inaceitáveis e 2,31 inadequadas devido ao equipamento e método usados nas análises.

O DAE argumenta que usa equipamento mais moderno que o empregado na pesquisa. A assessoria de imprensa do DAE lembra que a Vigilância Sanitária do Município também analisa a concentração do flúor na água distribuída à população.

Comentários

Comentários