Bairros

Frio de 9 graus, com sensação de 6

Da Redação
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Um cobertor foi pouco para a professora de educação física Rosana Fittipaldi se proteger do frio na madrugada de ontem. Mesmo sem saber, os três cobertores que ela colocou ajudaram a manter distantes os 9 graus marcados pelos termômetros na cidade, menor temperatura do inverno bauruense neste ano. Se a sensação térmica for levada em conta, a mínima variou entre 6 e 7 graus. Apesar da queda, o frio ainda está mais “quente” quando comparado aos anos anteriores.

A média da temperatura mínima nesta estação está em torno de 12,8 graus, segundo os cálculos do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet) de Bauru. Mesmo ao se considerar a sensação térmica – influência do vento e da umidade na temperatura –, os 9 graus de ontem refletem o comportamento do inverno da cidade. “Até agora a temperatura não caiu muito. O frio (aqui) não é tão rigoroso”, explica a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emidio.

De acordo com o levantamento do IPMet, a mínima registrada na madrugada passada foi cinco vezes maior do que a de 2000, quando a temperatura chegou a 1,7 grau, com direito à formação de geadas em algumas localidades do município. Os 9 graus superam ainda as mínimas dos últimos quatro anos. O aumento dos números, porém, não foi suficiente para diminuir o frio da professora Rosana Fittipaldi. Mesmo durante o dia, período em que a média fica em torno de 20 graus, ela não abre mão de casacos, gorros e cachecol. “Acho que o meu frio é acima da média. Chego até a perder peso no frio”, conta.

Na última noite, além dos três cobertores, Rosana chegou a usar o secador de cabelo para aquecer o lençol. Cuidados, no entanto, que não podem ultrapassar a metade da cama. “Eu não sinto frio. Nunca usei mais de uma blusa”, diz o marido dela, o gerente industrial Paulo Fittipaldi. Para equilibrar as sensações, cobertor e ventilador dividem o mesmo espaço. “Mesmo com o frio (de ontem), ele ligou o ventilador do quarto”, conta a professora.

Nascido em Bauru, Fittipaldi está acostumado com o pouco inverno da cidade e dispensa agasalhos. “Conheço cidades do Rio Grande do Sul, Campos do Jordão; aquilo sim é frio. Nunca usei mais de uma blusa (em Bauru)”, lembra.

Ciência

Ao contrário do ditado popular, frio não é psicológico. Fatores biológicos influenciam a sensação térmica e explicam porque alguns são mais vulneráveis às baixas temperaturas. Segundo o médico Francisco Simi, pessoas com pouca gordura e que se movimentam pouco, como os idosos, sentem mais frio. “Obesos contam com uma proteção natural (por causa do tecido adiposo) e, por isso, sentem menos frio”, explica Simi.

Além da gordura, metabolismo e hormônios alteram a sensibilidade à temperatura. “O metabolismo feminino, em geral, trabalha menos do que o do homem; por isso elas sentem mais frio”, conclui Simi. Para se proteger do frio e das doenças típicas do inverno, o médico aconselha o uso de agasalhos reforçados, principalmente para os idosos, o consumo de comidas quentes e manter distância de correntes de vento.

Previsão

Apesar das temperaturas mais amenas, o IPMet ainda não descarta possibilidade de novos recordes mínimos. Segundo a meteorologista Zildene Emidio, a aproximação de uma frente fria do Paraná deve causar aumento da nebulosidade e chuvas isoladas na sexta-feira. A partir da noite de sábado, as temperaturas voltam a cair na região de Bauru. Na cidade, a queda na temperatura deve ser mais forte apenas no domingo à noite.

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