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Ecoturismo e saúde pública


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A relação do homem com a natureza por vezes é antagônica, misto de amor e ódio, encantamento e temor. As belezas escondidas em nossas florestas, matas, serras, picos e cachoeiras tem estimulado o espírito aventureiro de muitos cidadãos e expandido as fronteiras do ecoturismo no país.

Nada mais natural, literalmente, já que o Brasil é conhecido internacionalmente pela riqueza de sua fauna e flora, atraindo turistas dos quadro cantos do planeta. Os brasileiros também aproveitam cada vez mais seus períodos de férias para explorar a natureza, nos mais diversos Estados.

Como responsável pela saúde pública do Estado, não posso deixar de alertar os ecoturistas, sobretudo os de primeira viagem, para a devida prevenção contra doenças que o contato com a natureza pode trazer. Recentemente, os veículos de comunicação noticiaram em todo o país o incidente com o renomado médico Dráuzio Varella, que, por um descuido, deixou de tomar a vacina contra a febre amarela e acabou contraindo a doença em viagem à Amazônia.

Febre amarela é uma doença grave, causada por vírus, que pode levar à morte. Seus principais sintomas são febre alta, dores de cabeça e lombar, icterícia, náuseas, vômito, prostração e calafrios. No Estado de São Paulo não há registro de transmissão autóctone da doença desde 2000, mas quem vai viajar para as regiões norte e centro-oeste do país, e para os Estados do Maranhão, Piauí e Minas Gerais, além das áreas ribeirinhas na divisa de São Paulo com Minas, devem receber a vacina contra a febre amarela.

A vacina é gratuita, tem validade por dez anos e deve ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem. No site do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (www.cve.saude.sp.gov.br) é possível checar a lista completa das áreas de risco de transmissão da febre amarela, além dos postos de saúde onde a vacina está disponível.

Outras doenças como dengue, leishmaniose, malária, doença de chagas e doença de Lyme são transmitidas pela picada de insetos infectados. Nesses casos não há vacina disponível, e a orientação essencial é para que o viajante se previna contra a picada desses insetos.

Recomenda-se, nesses casos, que o viajante utilize roupas que cubram a maior parte do corpo. O uso de roupas claras também pode reduzir as chances de aproximação de alguns mosquitos. Nas áreas expostas do corpo, como rosto e mãos, é necessário usar repelentes, que devem ser aplicados a cada quatro ou seis horas, dependendo do produto. Outras medidas como uso de inseticidas e dispositivos eletrônicos, também podem afastar os insetos transmissores de doenças.

Não se pode esquecer da febre tifóide. Na maioria das vezes a doença é transmitida por intermédio de alimentos contaminados. A água também pode ser um veículo de transmissão, podendo ser contaminada no próprio manancial (rio, lago ou poço). A indicação neste caso é para evitar tomar água sem tratamento, mesmo que à primeira impressão pareça algo saudável. O mesmo procedimento vale para evitar diarréia.

Também é importante prevenir-se contra os acidentes com animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e taturanas. Só em 2004, no Estado de São Paulo, foram notificados 7.600 acidentes desse tipo. Ao caminhar na mata é importante estar com um calçado adequado, como botas, e evitar o amanhecer e o entardecer do dia, quando as cobras procuram alimentos.

Caso ocorra algum acidente com cobra, a primeira medida é lavar o local afetado com bastante água e sabão e procurar o serviço de saúde mais próximo para melhor avaliação do ferimento. Não se deve amarrar, cortar ou chupar a ferida com a intenção de sugar o veneno. Isso pode piorar a situação da vítima. No caso de ferroada de escorpião, a medida é colocar sobre a ferida compressas de água morna, até a chegada do socorro. Para picadas de aranhas e queimaduras de taturanas é importante não mexer no ferimento.

O Instituto Butantan, maior produtor de soros e vacinas da América Latina, cuida de casos de picadas e ferroadas e até orienta por telefone, 24h por dia, pelo número (11) 3726-7962, sobre cuidados com animais peçonhentos. Já os ambulatórios de viajantes, além de oferecer as vacinas, orientam quem pensa em visitar locais pouco comuns ao homem moderno, como cavernas, onde o perigo são os morcegos. Ainda vale orientar que se algum sintoma de doença aparecer em até 30 dias após a viagem é importante comunicar seu médico, informando sobre o local de sua viagem, bem como a atividade desenvolvida, para auxílio no diagnóstico de sua doença.

O autor, Luiz Roberto Barradas Barata, é médico sanitarista e secretário de Estado da Saúde de São Paulo

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