Economia & Negócios

Construção civil contrata mil em um ano

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 3 min

Após três meses desempregado, o ajudante de obras Luciano da Silva Matos conseguiu emprego em uma obra na zona sul da cidade. Há pouco tempo no novo trabalho, Matos é um dos cerca de mil trabalhadores da construção civil de Bauru e região que voltaram às obras desde o segundo semestre de 2004 até junho deste ano. Levantamento feito pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil aponta que 10% da mão-de-obra ociosa do setor foi contratada. Apesar de positivo, o resultado ainda não indica recuperação.

Os problemas teriam começado em 1994, devido à crise econômica nacional. Anos depois, entre 2000 e 2002, a má situação da construção no País atingiu o ápice em Bauru e região. Entre 1994 e 2003, aproximadamente 10 mil trabalhadores saíram do mercado regional, segundo dados do sindicato. Entre 2003 e junho deste ano, 2 mil teriam retomado as atividades.

Atualmente, cerca de 5,5 mil pessoas trabalham com carteira assinada em Bauru e cidades como Agudos, Pederneiras, Piratininga, Lençóis Paulista e Pirajuí. O presidente do sindicato, Cláudio da Silva Gomes, estima ainda que outros 1,5 mil estejam trabalhando informalmente, o que totalizaria 7 mil empregados.

“(O aumento) superou nossas expectativas, mas nossa reação (diante dele) não é de comemoração, mas de otimismo”, ressalta. Segundo ele, apenas o primeiro semestre deste ano representaria cerca de 15% do crescimento total. Obras como a duplicação da rodovia Bauru-Marília e a construção de uma fábrica alimentícia em Pederneiras contribuíram para o acréscimo.

Em Bauru, construções comerciais e condomínios residenciais foram os responsáveis pela melhora. Apontados ainda como início da recuperação, os 10% já teriam superado o pior momento da crise na cidade, em 2000. Gomes lembra que neste ano aproximadamente 4 mil trabalhadores estavam ociosos. Neste semestre, o número variaria entre mil e 1,5 mil. “Este ano está melhor do que o ano passado”, avalia o ajudante Luciano Matos.

A constatação de Matos, no entanto, é observada com cautela pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon). “Houve um pouco de crescimento, mas ainda não recuperou as perdas de 2000”, pondera o diretor regional da entidade, Ralph Ribeiro Júnior. Ele lembra que as pesquisas realizadas pelo SindusCon são feitas de modo diferente do Sindicato dos Trabalhadores, que visita mensalmente todas as obras em andamento e contabiliza os funcionários. Segundo ele, os cálculos do Sinduscon são resultados de levantamentos feitos com as empresas ligadas ao sindicato e com equipe orientada para as pesquisas.

Ainda de acordo com Ribeiro Júnior, a falta de grandes obras na região, a desaceleração da atividade econômica nacional e os atuais problemas políticos impossibilitam o crescimento significativo de construções e contratações na cidade e nas demais regiões do País. Ressalvas parecidas com as de Cláudio Gomes, que acrescenta à lista as altas taxas de juros e a falta de políticas de incentivo ao setor. “Não é o ideal (o aumento de 10%). O correto seria 15% da mão-de-obra de uma cidade estar na construção civil. Aqui em Bauru não chega a 10%”, afirma.

Tendências

O ajudante de obras Robson Marques há três anos desconhece a palavra desemprego. Há seis meses trabalha em uma construção e, quando terminar, não teme ficar sem obras. “Já tem mais serviço em vista”, comemora. Exceção ou tendência, o exemplo de Marques ilustra as diferentes expectativas para a construção civil nos próximos meses.

Para Cláudio da Silva Gomes, os números atuais de contratação devem se manter para este semestre. O SindusCon, porém, não vê melhoras. Considerado o setor mais sensível às crises econômicas por depender de investimentos, Ribeiro Júnior acredita que a tendência seja a volta do desemprego. “O PIB (Produto Interno Bruto) da construção cai ano a ano. O setor é sempre o último a sair da crise e o primeiro a entrar nela”, avalia.

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