A permanência de quatro horas no Pronto-Socorro (PS) Central de Bauru para receber atendimento ambulatorial gerou indignação em alguns pacientes ontem à tarde. Pessoas que teriam chegado por volta das 11h ao PS foram atendidas pelo médico às 15h. Considerado excessivo para os pacientes, o tempo, segundo os funcionários, não indicaria a existência de falhas no atendimento do PS.
A reportagem chegou ao local às 14h45. De acordo com um grupo de pacientes, até então apenas um médico estaria consultando. Neste momento, cerca de 80 pessoas aguardavam nas salas de espera. “Está demorando muito”, reclamou a dona de casa Dina Ramos de Camargo, que após quatro horas de espera não havia sido atendida. Nesta ocasião, houve discussão entre pacientes e funcionários do PS, que garantiam a normalidade dos serviços.
O diretor do Departamento de Urgência e Emergência, Aigiro Kamada, explica que quatro clínicos gerais, um ortopedista e um cirurgião trabalhavam no PS ontem. O quadro seria igual ao dos demais dias do ano e, segundo ele, não foram registradas anormalidades no atendimento das consultas ambulatoriais. Kamada explica que a prioridade do Pronto-Socorro Central são os casos de emergência e urgência, e as consultas ambulatoriais seriam apenas um suporte à rede básica de saúde. “Temos oscilações de movimentos durante o dia. Infelizmente, trata-se de um serviço público e há espera, assim como acontece em hospitais particulares. Mas as consultas de emergência são atendidas rapidamente”, afirma o diretor.
Às 16h, a reportagem voltou ao local e constatou a presença de três médicos nas salas de consultas (o quarto estaria no “café”, segundo pacientes) e a movimentação menor à observada nas horas anteriores. “Não tem uma vez que não demora. Hoje até foi normal. Não deveria ser assim, mas...”, conta Marcos Soares dos Santos que aguardou a consulta da mãe das 12h às 16h.
Aigiro Kamada ressalta que o tempo de permanência dos pacientes no local não indica demora no atendimento. De acordo com o diretor, o tempo médio de espera pelas consultas é em torno de duas horas e meia. Em alguns casos, no entanto, a necessidade de reavaliação médica exigiria o maior tempo de permanência no local.
Nas unidades
Além das queixas à demora das consultas no Pronto-Socorro Central, a autônoma Rosimeire Aparecida Cesário Jerônimo reclamou também da unidade de saúde do Vila Ipiranga. “Cheguei de madrugada lá hoje (ontem), mas não consegui ser atendida. Vim para cá (Central) para ver se consigo uma solução”, conta ela. Há dois dias, a reportagem mostrou o descontentamento de alguns moradores do local quanto à demora e à falta de números para consultas com médicos ginecologistas.
Ainda ontem, uma mulher, que pediu para não se identificar por temer retaliações, afirmou que não havia pediatra na unidade do Núcleo Geisel, problema “corriqueiro”, segundo ela.
De acordo com Aigiro Kamada e a assessoria de imprensa da prefeitura, ontem sobraram 15 números para consultas de clínico geral na unidade da Vila Ipiranga. No caso do Geisel, a assessoria explicou que uma pessoa da família da pediatra responsável pelo atendimento morreu a poucos minutos do início do atendimento e não houve tempo suficiente para substituí-la. Nas demais unidades, Ipiranga e Mary Dota, o quadro médico e o funcionamento estariam normais.