Um problema que Bauru terá que enfrentar imediatamente é o esgotamento da capacidade de captação de água para consumo da população nos mananciais superficiais. O relatório do Diagnóstico Ambiental de Bauru, apresentado ontem pela empresa SHS Consultoria e Projetos de Engenharia, confirma que o rio Batalha, principal manancial de fornecimento de água para a cidade, está saturado. Os técnicos da SHS identificaram como alternativa viável à saturação do Batalha a captação no córrego Água Parada, vítima do crescimento da zona urbana e da degradação com esgoto.
Na avaliação do vereador e conselheiro do Instituto Ambiental Vidágua, Rodrigo Agostinho (PMDB), o rio Batalha já não apresenta condições para fornecer água, porém, as autoridades ambientais aceitam a retirada por se tratar de abastecimento público. Ele alerta que entre três e cinco anos o rio não servirá mais como fonte. “É uma questão de dez anos para a população sentir a falta de água. Bauru ainda não tem problema de rodízio como tem São Paulo. A partir do momento em que a população cresce mais que o volume de água disponível vai ter este tipo de problema.”
Agostinho justifica que o Batalha sofre, além da captação superior à sua capacidade, o impacto do assoreamento com erosões. O córrego Campo Novo poderia ser fonte para o abastecimento mas está comprometido por receber esgoto industrial, que mesmo tratado pode inviabilizar o uso da água.
O Água Parada é apontado como futuro manancial para abastecer Bauru. Entretanto, Agostinho diz que o córrego recebe esgoto da Pousada 1 e 2, Vila São Paulo, Núcleo Édson Gasparini, Núcleo Índia Vanuire e Jardim Helena, na zona norte. Ele ressalta como agravante a proximidade de uma nascente do manancial com o aterro sanitário do município. Outro problema apontado pelo vereador é o córrego receber o esgoto tratado das Penitenciárias 1 e 2 de Bauru. “Nós estamos contaminando um córrego que é o único que ainda tem uma certa disponibilidade para fornecer água para Bauru”, avalia.
O Diagnóstico Ambiental analisa o potencial do Aqüífero Guarani como fonte para captação subterrânea. A grande profundidade do reservatório, cerca de 500 metros, é apontada como limitador para retirada de água do subsolo. “Tirar essa água é muito caro. É uma água que também tem limite porque você não pode retirar mais do que a capacidade de recarga do aqüífero. Você pode até tirar uma quantidade agora, mas daqui a dez, 15 anos, ocorre um rebaixamento do aqüífero.”
O ambientalista avalia que o município precisa planejar seu crescimento e diagnósticos ambientais têm que ser uma constante. Agostinho defende a criação de um instituto de planejamento que produza avaliações periódicas. Ele diz que o Plano Diretor é instrumento para regular o desenvolvimento da cidade e também obras de infra-estrutura com necessidade de previsão em legislação orçamentária. “Precisamos rever as leis urbanísticas. Bauru está hoje com 414 bairros e vários projetos urbanísticos pré-aprovados. A cidade não pára, mas o crescimento tem que estar ordenado de acordo com esses diagnósticos. Não podemos mais achar que a cidade é sem limites”, afirma.
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Desconcentração
A diretora de projetos ambientais da SHS consultoria, Sheila Villela, cita como solução para abastecimento de Bauru a desconcentração dos pontos de captação. “Do jeito que estão, as fontes de captação estão esgotadas pontualmente. O município como um todo tem fontes de captação boas. Com exceção do rio Bauru, que está muito poluído”, avalia. Ela cita como fragilidade de Bauru a falta de tratamento de esgoto domiciliar. “É urgente que se faça uma estação e que se pare de lançar esgoto no rio Bauru.”
O secretário municipal de Meio Ambiente de Bauru, Carlos Barbieri, diz que o diagnóstico ambiental será utilizado no Plano Diretor para definir um modelo de zoneamento para a região em que está o córrego Água Parada. Barbieri explica que, como o córrego está numa Área de Proteção Ambiental (APA), serão definidos critérios que limitem a ocupação da região. “Vai poder utilizar desde que se tenha critérios. Para movimentação de terra, manejo de área, até loteamento. Isso vai ser estudado na criação de zoneamento dessa APA que é nosso futuro manancial de águas superficiais”, garante o secretário.