Bairros

Multas de trânsito caem 16% em Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Juntos, radares e lombadas eletrônicas e policiais militares aplicaram 11.830 multas de trânsito em Bauru entre janeiro e junho deste ano, o que representa uma média de quase 2 mil autuações por mês para uma cidade com 350 mil habitantes e cerca de 150 mil veículos. Mas as multas estão em queda. No primeiro semestre de 2004 foram processadas 14.148 autuações, 16,38% a menos que no mesmo período deste ano, segundo dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Mas apesar da redução comparando-se o primeiro semestre de 2004 e 2005, o professor Marco Aurélio Batista de Souza, multado no início do ano, acha que o número ainda é alto e o responsável por ele são os radares. “O bauruense já sabe onde estão os radares e reduz a velocidade quando chega perto. Mas quando esquece, como aconteceu comigo, acaba sendo multado. Para mim, é uma forma de arrecadar dinheiro”, opina.

A Emdurb, através de sua assessoria de comunicação, contesta. São onze radares, mas eles funcionam em rodízio, de forma que apenas dois estão ligados por vez, e três lombadas que funcionam 24 horas por dia, argumenta a assessoria. Para o engenheiro Marcos Wanderley Ferreira, os radares e lombadas só inibem o excesso de velocidade nos locais onde estão instalados.

“Moro próximo da avenida Duque de Caxias e observo que entre 7h e 8h, e das 18h às 19h, há excesso de velocidade, principalmente de motos. Mas o pessoal que desenvolve alta velocidade sabe onde estão os radares e quando chega no local, toma cuidado. Só é multado quando dá uma bobeada”, comenta.

Ferreira defende que a utilização de radares e lombadas, mas acha que o policial deve abordar o motorista quando ele exceder a velocidade permitida para a via. “Se o policial parar o motorista, a conscientização é muito maior do que ele receber, depois, a multa em casa. É uma notificação fria”, avalia.

Autuado

Já outro motorista multado no início do ano em Bauru, que preferiu não identificar-se, afirma que já foi vítima de injustiça exatamente pela atuação de um policial de trânsito. “Eu estava esperando o semáforo abrir quando o celular tocou e eu atendi e disse que não podia falar e desliguei. O guarda, que estava do meu lado, viu e me multou mesmo depois de eu ter argumentado que o semáforo estava fechado quando atendi o telefone”, reclama.

Motorista há 20 anos sem ter recebido nenhuma multa até então, ele conta que, no mesmo momento, o policial deixou de multar um outro veículo que estava estacionado na guia rebaixada. Durante todo ano de 1999, antes da instalação dos radares e lombadas eletrônicas em Bauru, foram aplicadas 23 mil multas.

Se para muitos motoristas as multas são motivo de indignação, para a Emdurb é receita. De janeiro a junho deste ano a empresa arrecadou R$ 1,4 milhão com autuações, contra R$ 1,3 milhão no mesmo período do ano passado.

A assessoria de imprensa da empresa informa que o dinheiro, conforme o previsto por lei, é empregado no Departamento de Sistema Viário (DSV), que é responsável pela manutenção de semáforos, pintura de guias, instalação de placas de trânsito, envio das notificações de autuação aos motoristas, custeio de aluguel e telefones para a polícia.

Salário

O dinheiro também é usado para a folha de pagamento dos 126 funcionários do DSV e ações educativas relacionadas ao trânsito, como o programa Emdurb no Bosque, palestras em escolas e empresas e campanhas como a que está sendo realizada atualmente, de segurança no trânsito nas férias.

No primeiro semestre deste ano, a despesa do DSV foi de R$ 1,8 milhão contra uma arrecadação de multas de R$ 1,4 milhão. Já no primeiro semestre do ano passado, foi arrecadado R$ 1,3 milhão e gastos R$ 2,2 milhões, exigindo da prefeitura o investimento no setor de R$ 900 mil.

____________________

Acidentes

Apesar de seis pessoas terem morrido no trânsito de Bauru no primeiro semestre deste ano, a assessoria de comunicação da Emdurb ressalta que o índice de mortalidade na cidade para cada 10 mil veículos é inferior à média do Brasil e até de países do Primeiro Mundo.

No ano passado, o índice de Bauru foi de 1,69 morte para cada 10 mil veículos, contra a média do Brasil que é de 6,8. Japão, Alemanha, França, Estados Unidos têm índice de mortalidade no trânsito entre 1 e 2 para cada 10 mil veículos.

Comentários

Comentários