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Currículo deve despertar interesse do selecionador

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Convencer um estranho, em poucas linhas, de que você é a pessoa mais indicada dentre centenas de candidatos para preencher uma vaga de trabalho é um desafio e tanto. Pois é esse o papel de um currículo. Saber escolher as informações de modo que elas despertem no selecionador a vontade de entrevistar você é o grande segredo. Algo que requer muita dedicação.

Mais que um simples cartão de visitas, a função do currículo é convencer alguém de que aquele candidato apresenta todas as características necessárias para o desempenho de determinada função. E isso, muitas vezes, vai além da qualificação profissional. Itens como organização, facilidade de entrosamento, espírito de liderança e iniciativa podem contar muitos pontos.

Difícil é colocar tudo isso no papel. A reportagem apurou que não existe uma fórmula exata para a elaboração de um currículo. Muitos esquemas sugeridos em livros são cansativos. O ideal é usar o bom senso na escolha das informações e a criatividade na forma de distribuição delas, de modo que ele permita ao selecionador traçar um perfil do candidato durante a leitura.

“O conteúdo de duas páginas pode decidir o seu destino profissional”, salienta a psicóloga Daniela Gibin Duarte, especialista em recursos humanos. “Ele tem que fazer a diferença no meio de muitos outros. Porque se ele não despertar o interesse do selecionador, não haverá continuidade no processo”, acrescenta.

Para a psicóloga organizacional Regina Maura Pereira Torres, o currículo tem que ser um registro fiel da história profissional de alguém. “Ele é a sua propaganda e, como tal, não pode ser apenas um pedaço de papel frio. Portanto, deve ser elaborado para destacar sua experiência e competências pessoais, além de ter um diferencial agregado, que é o que faz com que ele se destaque entre os demais”, observa.

Nesse sentido, ela avalia que não é o tamanho de um currículo que conta, mas sua capacidade de estimular o selecionador a ler até o fim. “Ele tem que trazer apenas as informações mais importantes, de acordo com o cargo pretendido. Mas também não pode omitir dados ou apresentar informações genéricas, que o obriguem a telefonar para tirar dúvidas. É preciso ser claro e objetivo”, recomenda.

As psicólogas comentam que, atualmente, a maioria das empresas de recursos humanos prefere que o candidato faça seu cadastro pela Internet.

“Agora existem formulários prontos, que já vêm com todos os campos necessários para preenchimento”, comenta Duarte. “Na minha empresa, tudo que chega em papel acaba sendo cadastrado no computador, porque isso facilita o armazenamento das informações e a busca”, confirma Torres.

Mas os currículos de papel ainda são extremamente necessários. O problema é que o volume de candidatos é sempre muito maior que o de vagas disponíveis. Então, é preciso ser convincente.

As psicólogas reforçam que o currículo deve ser sempre atualizado, de acordo com o perfil exigido pela função pretendida. “Você não precisa citar tudo o que fez na vida. Cite apenas os cursos ou aptidões que serão necessárias para ocupar aquele cargo”, diz Torres.

“Lembre-se que o currículo é o primeiro contato com o profissional de recrutamento de uma empresa pela qual você tem interesse. É a primeira imagem que a empresa terá de você. Por isso, para fazê-lo é preciso tempo, dedicação e foco. Então, faça, refaça várias vezes, releia e peça ajuda se precisar”, encerra Duarte.

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