Gastronomia

Café em alta

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

A chegada do inverno traz uma série de mudanças, principalmente no universo gastronômico. Saladas e pratos leves, que combinavam com o colorido do verão, aos poucos vão sendo substituídos por caldos, massas e bebidas mais encorpadas, ideais para aquecer o corpo e estimular o paladar.

Nessa época, o café e o chocolate se unem às especiarias, licores, destilados, cremes e coberturas, e ganham novos sabores que irão aquecer a temporada mais charmosa e romântica do ano.

Mais do que um hábito cotidiano, no inverno, o café se transforma em uma ótima opção para aquecer o corpo, com seu consumo chegando a aumentar de 8% a 15%.

Segundo Lúcia Gamarana, nutricionista do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, a temperatura do corpo diminui no inverno. Para se aquecer, o organismo gasta mais energia e faz com que as pessoas sintam mais necessidade de ingerir líquidos e alimentos quentes.

“Além do café” ajudar a manter a temperatura, a cafeína - substância estimulante existente na bebida - acelera os batimentos cardíacos e, conseqüentemente, a circulação, fazendo com que a temperatura também aumente”, explica.

Para acompanhar esse crescimento, o tradicional Café Moka, que começou com um grupo de imigrantes italianos, em 1912, no Brás, em São Paulo e hoje foi incorporado pela holding mineira Minas Export Comércio e Exportação, investiu R$ 4 milhões em um novo torrador para ampliar sua produção e, principalmente, atender o aumento da demanda provocado pelo frio.

O Brasil é um dos maiores e melhores produtores e exportadores de café verde do mundo. Posto importante, considerando que o fruto é segundo commodity mundial, depois do petróleo, o que o torna um importante alicerce da economia do País. Em 2004, o consumo de café cresceu 8,8%, muito acima da média mundial, de 1,5%, e superou o próprio comportamento da economia, projetado, para apenas 4,5%.

Isso significa que os brasileiros beberam quase três litros a mais de café no ano passado, atingindo o maior patamar de consumo per capita dos últimos 40 anos.

Só em São Paulo, segundo o Sindicato da Indústria do Café no Estado, os paulistanos tomam cerca de 460 milhões de xícaras de café por mês, número que deve aumentar nos próximos anos.

* Colaboração: Matéria Prima Comunicação e Café Moka

Rubinácea & a vivacidade

O café é a semente de uma planta nativa da África. Sendo diversas as lendas em torno da origem do café, existe uma - mais consensual - que atribui a sua descoberta a um pastor da Arábia.

Assim, enquanto acompanhava um rebanho nas pastagens das montanhas reparou que este, após ter ingerido as bagas vermelhas de uma planta silvestre, havia-se tornado mais agitado e vivaz.

Assustado com a transformação do comportamento do rebanho, Kaldi - assim se chamava o pastor - decidira provar das mesmas sementes. À semelhança do seu rebanho, também Kaldi se tornou mais ativo. Entretanto, e dada a inquietude e excitação do seu comportamento, Kaldi foi surpreendido por um monge que o repreendera por partilhar da fruta do “diabo”, capaz de sucitar impulsos próprios e rebeldes.

Todavia, a curiosidade do monge foi mais forte que a sua moral e, não obstante a repreensão, resolveu experimentar o fruto dessa planta.

O efeito revigorante o fez se sentir bem novamente, ganhando popularidade no interior do próprio mosteiro. Aliás, as bagas do cafeeiro passaram a ser consumidas assiduamente pelos monges uma vez que o mantinham mais despertos e com maior fervor religioso para enfrentarem longos serviços noturnos de oração e vigília.

A crescente popularidade destas sementes fez com que a planta descesse as montanhas da Etiópia e fosse cultivada em larga escala, na região do Iêmen.

Saúde na xícara

O grão é também tema de reiterados estudos e muitas conclusões. Segundo pesquisa apresentada recentemente pelo Ph.D. em medicina e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Darcy Roberto Lima, o ser humano consome café como bebida matinal em razão ao estímulo que esta proporciona para o cérebro.

Além da cafeína, o produto apresenta lactona, cuja atuação beneficia o cérebro. O consumo diário faz com que este órgão esteja mais atento e apto para as atividades intelectuais, além de estimular a memória, atenção e concentração.

Seu consumo diminui a ocorrência de apatia e depressão, podendo diminuir a ingestão de álcool ou drogas. Outros estudos na Austrália revelaram que o consumo de café protege as mulheres de vários tipos de câncer de ovário, reduzindo o risco pela metade.

Amostras escandinavas chamaram a atenção dos médicos no mundo, alertando que o cafezinho também pode proteger as pessoas contra a diabete.

Massa Bolo de Café

* receita do Sesi Programa Alimente-se bem por R$ 1

2 ovos 2 xícaras (chá) de farinha de trigo 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio 1 3/4 xícara (chá) de açúcar 1 xícara (chá) de margarina 1/2 xícara (chá) de achocolatado em pó 1 e 1/2 xícara (chá) de café bem forte

Na calda: use 1 laranja, 1/2 xícara (chá) de água e 2 colheres (sopa) de açúcar

Bata as claras e reserve. Peneire juntos a farinha, o bicarbonato e o açúcar. Reserve.

Junte a margarina e as gemas e bata bem. Acrescente o achocolatado e o café. Junte os ingredientes e, por último, as claras em neve. Mexa delicadamente. Asse em fôrma untada e enfarinhada por 30 minutos. Para a calda, esprema a laranja e peneire.

Acrescente a água e o açúcar e leve ao fogo até que levante fervura. Corte a massa do bolo em fatias grossas. Monte, em um pirex, uma camada de fatias.

Molhe com a calda. Em seguida, mais uma camada e assim por diante, até terminar.

Leve à geladeira para gelar.

Dica: troque o bicarbonato pelo fermento, se quiser.

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