De acordo com a psicóloga Luciana Biem Neuber, a consciência de que o acidente poderia ter sido evitado dificulta muito a reabilitação de pacientes vítimas de uma lesão medular.
“O ser humano normalmente só dá valor às coisas que perde. Então, meu recado é que eles comecem a dar valor às pequenas coisas, à capacidade de andar, levar um garfo até a boca, cruzar as pernas. Será que vale a pena, por um segundo de prazer, de adrenalina, perder tudo isso?”, questiona.
Neuber salienta que o ser humano leva anos para aprender a andar, a comer sozinho, para adquirir independência. “E quando ele atinge a fase adulta e está realmente pronto para ser independente, sofre uma lesão medular e regride ao estado de dependência, isso gera angústia, depressão mágoa. Quando há culpa, lidar com esses sentimentos torna-se ainda mais insuportável”, comenta.
Na opinião da psicóloga, as ações preventivas devem começar pelos pais, que são o modelo para os filhos. “É dever dos pais fazer certo, ensinar o certo, mostrar as conseqüências de um acidente, estabelecer limites e até tirar o carro de um jovem habilitado que dirige com irresponsabilidade. Seu filho pode reclamar hoje, mas ele vai lhe agradecer amanhã”, garante.
Ação de cidadania
Incentivar a prevenção de acidentes entre jovens para reduzir a incidência de lesões medulares foi o tema de um trabalho de alunos do terceiro ano do curso de fisioterapia da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru.
De acordo com a estudante Milene Almeida, a equipe passou cerca de quatro meses pesquisando o assunto. O resultado foi a elaboração de um panfleto, que foi distribuído há algumas semanas para alunos dos cursos teóricos realizados em auto-escolas de Bauru.
Segundo Milene, cerca de 30 pessoas em processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) receberam o panfleto e acompanharam as palestras. “Nosso objetivo é mostrar para futuros motoristas a importância da prudência".