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A conspiração do Lula


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No início de 2002, escrevi um artigo, “uma ideologia para o Lula”, alertando aos companheiros da militância petista para o desvio ético da liderança do partido, incluindo o Lula.

Escrevi que devíamos antecipar os graves problemas que assolam a maioria dos petistas que entram em contato com o poder e, quem sabe, remediar o autoritarismo, a corrupção e o nepotismo. O PT tinha como ideologia o socialismo e como princípios básicos a democracia, principalmente a interna, a transparência administrativa e a não contratação de parentes e amigos.

Bons tempos quando o PT ocupava apenas cargos no Legislativo. Era fácil ser o detentor da Moral e da Ética. Ganhou algumas prefeituras e pronto, os problemas começaram. Prefeitos foram expulsos em nome da ética. Que maravilha! O PT era sério. Porém, o tempo passou e os petistas mudaram. Tive a oportunidade de testemunhar de perto isso, quando participei da administração petista de Catanduva por quase quatro anos.

Se há algo que aprendi sobre o poder é que corrompe, conforme descrito no livro do George Orwell “A Revolução dos Bichos (Farm Animal)”, aos poucos, lenta e gradualmente. Alertei, pois quando se percebe, o “companheiro” petista do executivo está pior que os da direita. Triste realidade!

O que me preocupava era o silêncio do Lula. E até o que já falou quando esteve em Catanduva, em 2001, Lula foi questionado por uma repórter sobre o nepotismo (nepetismo para os íntimos catanduvenses), Lula deu a “brilhante” explicação que quando é competente não é nepotismo.

Escrevia eu naquele artigo: seria um prenúncio que Lula viraria um ditador ímprobo? Que profético! Ditador sim, porque de democracia o partido já ficava devendo naquela época. No PT, decisões, escolhas, opções, discussões, só a cúpula. O resto era para cumprir ordens.

Uns meses depois, fui ameaçado por um guarda-costas do prefeito. E enquanto o Suplicy discursava próximo. Porém, gravei a ameaça e apresentei na polícia.

Então escrevi “Devo votar no Lula?”, quando revelei que o próprio assessor do Zé Dirceu, o Lucas Buzato, sugeriu que eu saísse do partido. Dá para acreditar? Pois foi pior ainda. Quando procurei o meu ex-colega do Inpe e chefe de gabinete de um deputado estadual do PT, expliquei-lhe a administração petista em Catanduva. Ele muniu-se de evasivas. Questionou-me se Catanduva não tinha nada de bom. Isso me lembrou aquela história do ”rouba mas faz”. Será que o PT reduziu-se a isso? Pois é!

Escrevi tudo isso como alerta e convite para que cada “companheiro”, cada jornalista, cada eleitor vigiasse e cobrasse o Lula (e demais candidatos), tirando-o do silêncio e fazendo-o comprometer-se com a transparência administrativa.

E o que aconteceu? Recebi dezenas de e-mails maldizendo meus escritos, perguntando qual benesse me negaram. Teve até um editor mineiro que me proibiu de enviar outros artigos para seu jornal.

Hoje, vemos que a cúpula do PT conspirou contra a nação, tentaram seqüestrar o Estado e cooptar a sociedade, os políticos e a imprensa.

Novamente, jogo para a sociedade, para os simpatizantes da esquerda, para os jornalistas. Precisamos estar atentos, vigilantes. O Brasil sobreviveu ao impedimento do Collor. Melhor, abriu uma oportunidade para um “pacto” nacional que se viabilizou na forma do Plano Real, liderado por alguém que precisa ter sua história revista e melhor avaliada.

O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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