Tribuna do Leitor

Sobre João Álvares e o "rouxinol dourado"


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Li a retificação e o esclarecimento do jornalista João Álvares, em A Tribuna do Leitor, do dia 14 deste mês, e quero enviar-lhe esta mensagem.

João, você está sozinho, mas por um motivo nobilíssimo.

Está sozinho de Norte a Sul, de Leste a Oeste, no Estado brasileiro, porque teve a coragem de assumir que falhou, no meio do mar de sujeira, da corrupção que assola o país e que não é de hoje. Os autores de delitos graves negam, enquanto não houver a prova material, o que é difícil, e muitos continuam impunes. Os acusados ou suspeitos de pequenos furtos ou tentativas, negam, e ai daquele que levantar qualquer acusação sem prova. Será que a compulsão pelo furto, como aquela da personagem Maitê, da novela da Globo?

Ou da procura da vantagem em tudo? A mídia tem escancarado à nação os casos de desvios ou propinas há muito tempo. Desde os tempos do Ademar de Barros, o tempo do rouba mas faz, reeditado nos governos de Paulo Maluf e Pita, continuando no governo do FHC, com o escândalo do Banco Nacional, e os buxixos da compra de votos para a reeleição, passando por nossa cidade, com fatos comprovados e outros suspeitos, cometidos por prefeitos, até os nossos dias, envolvendo personagens do partido que está no governo, e que todos conhecemos. Os acusados ou réus continuaram, continuam, ou poderão até continuar livres, com pouquíssimas exceções, exaltando a máxima “prefiro ser desonesto rico a honesto pobre”.

Em meio a todas essas influências, de toda essa mania desenfreada de apossar-se de um objeto qualquer de desejo, por compulsão ou para levar vantagem, e que eu mesmo já constatei em muita gente fina, acima de qualquer suspeita, você também sucumbiu ao desejo. Mas antes que alguém o acusasse de modo idôneo, isto é, perante a justiça, você, surpreendendo a todos, fez publicar sua compulsão, ou seu crime, de ter incluído em seu livro, um ou dois textos de outro autor, num universo de 168 composições.

Por isso você é único, está sozinho no “podium” da sinceridade e da coragem.

Este fato inusitado, entretanto, não lhe retira o mérito de ser um grande jornalista, desta consagrada Tribuna do Leitor, e em relação à qual não me consta ter ouvido qualquer referência a alguma cópia sua ou semelhanças com textos de outros jornalistas da imprensa brasileira, veiculados por jornais ou mesmo pela internet, mérito que justificou a sua escolha como delegado regional da Associação Paulista de Imprensa. Aliás, hoje está muito fácil copiar pela internet, apropriar-se de textos ou idéias, direta ou indiretamente, apenas mudando, aqui ou ali, ou não, e compor um clone sem aspas, com membros do corpo de origem vária, um filho de pais desconhecidos, e que o copiador assume e assina como seu. Recurso praticado em trabalhos universitários e até por alguns poetas.

Entretanto, num outro sentido, você não está sozinho. Pode ter a certeza da compreensão de grande parte de seus leitores e amigos, que são aqueles que colocam a amizade e a solidariedade acima de quaisquer outros valores.

Você não está sozinho. Você figura ao lado de eminentes colaboradores do Jornal da Cidade, pugnando pelas causas justas, revoltando-se contra as mazelas de nosso país, como os cidadãos Rafael Moya, Arthur Monteiro de Carvalho, Ivan Golfi, Dorival Cury, Zarcillo Barbosa, Pedro Valentin, e tantos outros, que me desculpem por não citá-los, todos cidadãos inconformados com o andar da carruagem que se denomina Brasil.

Caleb Patrício de Barros - professor e bacharel em direito - RG 2.549.247

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