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Ex-diretor do IPA comandará Febem

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O advogado Antonio Alfredo Costela Parras, 40 anos, que no início da década de 90 foi diretor de disciplina e segurança do Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, foi nomeado para comandar a unidade local da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).Trabalhando há um ano e meio como assistente da Corregedoria da fundação, em São Paulo, Parras será o oitavo diretor da Febem de Bauru, inaugurada no início de 2002.

Ele vai ocupar o cargo que está vago há mais de 40 dias, desde que o tenente-coronel da reserva Jorge Pinholi pediu demissão após ficar menos de dois meses na função. Ele saiu da instituição afirmando que o cargo requer uma pessoa que tenha amplo conhecimento sobre a Febem para conseguir fazer a “engrenagem funcionar”.

Desde então, Éder Carlos Trindade, funcionário de carreira da instituição, estava administrando interinamento a unidade de Bauru.

A escolha de Parras para o cargo foi divulgada pela Febem no início da noite de ontem. De acordo com a assessoria de imprensa da entidade, nos últimos dias Parras e outros dois interessados em assumir a direção da unidade de Bauru passaram por entrevistas e provas de avaliação. A data de posse ainda não foi anunciada.

O JC tentou contatar Parras em São Paulo por telefone, mas não o localizou. Em Bauru, o pai do novo diretor da Febem, Antonio Parras Hernandes, ficou surpreso com a nomeação do filho para a direção da unidade local. “Não estávamos sabendo. Faz tempo que não falamos com ele até porque, como ele trabalha na Corregedoria da Febem, sempre está viajando por conta das investigações”, comenta.

Para Hernandes, seu filho deveria permanecer na Corregedoria porque considera que não é fácil administrar uma unidade da Febem em função da estrutura e problemas da instituição. Mas afirma que Parras tem experiência no trabalho carcerário e pulso firme. “Ele tem experiência e postura firme. Mas consertar a Febem será difícil. Ele vai tentar e esperamos que dê certo, que melhore algo”, frisa.

A Febem de Bauru tem capacidade para 72 internos. A última ocorrência na unidade foi no dia 6 de junho, quando cerca de 35 adolescentes tentaram fazer motim reclamando de morosidade em seus processos. A Polícia Militar foi acionada e apoiou funcionários da instituição na revista aos adolescentes.

Em maio, em duas rebeliões seguidas, os internos queimaram colchões, quebraram computadores, cadeiras e outros mobiliários, o que causou a suspensão temporária das atividades sócio-educativas de rotina. Em março, 15 adolescentes fugiram da unidade. Mas a pior ocorrência da história da Febem de Bauru foi a morte de um dos adolescentes internados, em fevereiro. Ele foi atingido por golpes de estilete.

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