Uma moça bem vestida, usando sapatos de salto alto e jóias, entrou num magazine localizado no Centro de Bauru ontem e comprou câmeras digitais, telefones celulares e palm top. Pagou tudo à vista no cartão de crédito. Apesar dos funcionários não encontrarem nada irregular na documentação apresentada por ela, a atitude levantou suspeita e levou à prisão a moça e mais três homens que estavam fazendo compras na cidade usando cartões de crédito clonados.
Juntos, eles compraram mercadorias avaliadas entre R$ 10 mil e R$ 15 mil e que foi recuperada pela polícia. Até o fechamento desta edição, haviam sido identificados três estabelecimentos comerciais vítimas do grupo, que estava hospedado em um hotel da cidade. Com eles, além das mercadorias recém-adquiridas e dos celulares usados por eles, os policiais apreenderam 21 cartões de crédito, 11 carteiras de identidade e vários formulários para RG em branco.
Diante da quantidade de cartões de crédito cuja suspeita é que tenham sido clonados, dos documentos falsificados e dos formulários em branco, o delegado Marcelo Haddad, titular do 3.º Distrito Policial autuou os quatro em flagrante por estelionato, formação de quadrilha ou bando e uso de documento falso.
A moça, Sely de Moura Lima, 20 anos, seria recolhida à Cadeia Feminina da Cabrália Paulista enquanto Luiz Carlos Alberto Antônio, 50 anos, Luiz Kazuaki Yano, 43 anos, e Carlos Alfeu Cordeiro, 20 anos, seriam encaminhados à Cadeia de Avaí. Todos já tinham passagem pela polícia, mas até o fechamento desta edição ainda não havia sido apurado por quais crimes.
Com eles, também foram apreendidas folhas de papel com listas de mercadorias como tênis, telefone celular e câmera fotográfica. A suspeita da polícia é que os quatro estavam comprando as mercadorias relacionadas nas listas, um ação sob encomenda. Se não fossem descobertos, eles pretendiam fazer mais compras.
Encomenda
Um dos homens preso, após comprar duas câmeras digitais de R$ 1,7 mil cada uma, chegou a encomendar mais duas. “Ele comprou à vista e pagou com o cartão e encomendou mais duas câmeras, ainda mais cara, para sexta-feira porque não tínhamos estoque na loja. Quando eu liguei no celular dele para falar do preço da câmera, o policial atendeu e então descobrimos que o cartão era clonado”, conta a gerente de uma ótica, que preferiu não identificar-se.
Ela ressalta que, logo após o cliente sair da loja, a sua chefe levantou a suspeita de que o cartão de crédito fosse clonado. “Ela achou estranho a compra por causa do valor e do pagamento à vista, mas não havia problemas com os documentos e ele estava bem vestido. Usava camisa fina, relógio de ouro e anel cravejado de diamantes. Ele disse que era construtor, morava em São Paulo estava em Bauru visitando parentes”, relata.