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Fanáticos amedrontam mundo


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O homem do século 21, que é capaz de acertar um cometa a 431 milhões de quilômetros da Terra, com uma bala de cobre de 372 quilos, não consegue caçar um maluco barbudo chamado Ossama Bin Laden. Um país que é capaz de fazer uma verdadeira “guerra nas estrelas”, com naves e mísseis de alta precisão, não conseguiu evitar que dois de seus próprios aviões de passageiros, pilotados por fanáticos, causassem a maior tragédia de sua história, destruindo os dois edifícios que eram o orgulho de Nova York.

Um exército que foi capaz de subjugar Sadam Hussein dentro de sua própria fortaleza, sente-se impotente para impor a ordem num país que ele mesmo arrasou. Seus pesados tanques de guerra e armas sofisticadas não valem nada diante de malucos fanáticos amarrados a quilos de dinamite. A ciência e sua filha prática, a tecnologia, vêm devassando o espaço, descobrindo estrelas e galáxias, a distâncias nunca imaginadas, enchendo o céu de satélites que permitem assistir às olimpíadas e outros acontecimentos, de qualquer parte do mundo, na mesma hora em que acontecem.

As mesmas ciência e tecnologia caminham noutro sentido, em direção ao infinitamente pequeno, e constróem chips, minúsculas peças de silício que processam milhões de dados, à velocidade da luz, permitindo decodificar o genoma humano e desafiar o Criador com organismos geneticamente modificados e clones.Todo esse avanço, entretanto, não modifica a natureza humana. O homem de hoje continua se assustando e tendo medo do perigo e do imprevisto como sempre teve, desde a época das cavernas. A correria e o pavor que dominaram Londres neste último atentado terrorista não é diferente do que acontecia com o homem primitivo, diante dos fenômenos da natureza e da ameaça de animais ferozes.

Nigel Nicholson, professor da London Business School, na introdução de seu livro Instinto Executivo, com fundamentos da psicologia evolucionista, depois de mostrar que entramos no novo milênio deslumbrados com as maravilhas da tecnologia e das grandes possibilidades que ela promete, em todos os campos, diz: “Já é hora de voltar à realidade. Talvez tenhamos ultrapassado a Idade da Pedra, mas a Idade da Pedra ainda está dentro de nós”.

E mais adiante: “Quando tentamos criar utopias nas quais as pessoas precisem ser criativas de forma uniforme, livres da inveja, cegas para qualquer diferença de "status" ou sexo e completamente isentas de preconceitos nos seus julgamentos, vemos a natureza humana se reafirmando, nos levando de volta aos nossos estados normais de ganância, orgulho, egocentrismo e indolência.”

Roma estendeu o seu domínio ao Oriente; Xerxes, filho de Dario, procurou estender o domínio da Pérsia (hoje Irã e Iraque) ao Ocidente, invadindo a Grécia; Portugal, Espanha e Inglaterra lançaram seus domínios nas Américas e na Ásia. Agora, é a vez dos Estados Unidos quererem garantir a sua hegemonia dominando as fontes de riquezas naturais tanto no Ocidente quanto no Oriente. As reações dos mais fracos, não podendo contar com o poderio bélico, valem-se do poder da fé.

É esse o poder da Jihad, a “guerra santa”, se é que matar os que não comungam da mesma religião pode ser uma coisa santa. Agora, os seguidores de Maomé, não podendo mais formar exércitos como os que invadiram a África e a Espanha, ante o poderio bélico dos ocidentais, transformam-se em homens-bomba que ninguém sabe onde estão e de onde virão. E como os alvos preferidos são os lugares de maior concentração humana, um pequeno grupo de doidos fanáticos deixa amedrontado o evoluído mundo do terceiro milênio.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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