O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região conseguiu paralisar parcialmente as agências do Banco Nossa Caixa ontem, em Bauru. O diretor do sindicato, Marcos Lenharo, diz que teria havido “truculência” por parte da Polícia Militar, o que teria impedido o fechamento da agência centro na Praça Rui Barbosa. Entretanto, ele avaliou que nas agências da Vila Cardia e Vila Falcão a paralisação teria obtido êxito.
O comandante da Base Centro, tenente Jorge Luiz Dias, nega a versão de Lenharo e diz que apenas foi garantido o direito dos funcionários de adentrarem ao local de trabalho. O tenente conta que uma funcionária foi escoltada por um policial até o interior do banco e, em seguida, os demais funcionários entraram.
Ele explica que as agências da Vila Cardia e Vila Falcão atenderam ao público. No início da tarde, um funcionário da agência Vila Cardia informou que os clientes tinham acesso normal aos serviços bancários.
Por volta das 9h30, um cliente do banco saiu revoltado da agência da Vila Falcão quando foi avisado pelo sindicalista Paulo Sérgio Martins que o banco estava fechado por 24 horas. Ele não quis conversar com a reportagem e saiu apressadamente.
Em nota divulgada no meio da tarde de ontem, o sindicato avalia que a paralisação das agências da Nossa Caixa em Bauru foi bastante prejudicada pela postura da Polícia Militar. Conforme a entidade sindical, a polícia “atendeu ao chamado do banco e agiu no sentido de garantir a abertura da agência Bauru-Centro”. “Este fato fez com que houvesse um ‘efeito dominó’ com as outras quatro agências que estavam paralisadas, abrindo as portas uma a uma. Por volta das 14h30, todas estavam abertas”, explica a nota de esclarecimento.
O diretor do sindicato, Marcos Silvestre, ressalta que a paralisação de um dia dá continuidade à estratégia para evitar a privatização do banco pelo governo do Estado de São Paulo. Mobilizações como a de ontem também teriam ocorrido em Assis e Marília, seguindo um cronograma de paralisações em diversas regiões do Estado em diferentes datas.
Segundo Silvestre, o banco vem sendo preparado para a privatização desde maio com a venda da subsidiária da Nossa Caixa Seguros e Previdência. Ele cita ainda o problema de excesso de horas extras que não são pagas e muitas transferências de funcionários. Outra queixa da categoria seria a mudança unilateral promovida pelo banco no plano de saúde com aumento de despesas para os funcionários. “Isso significa confisco salarial”, aponta Silvestre.
Prisão
O delegado do 3.º Distrito Policial, Marcelo Haddad, explica que as investigações sobre os incidentes ocorridos em maio passado envolvendo representantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região já foram finalizadas e encaminhadas para o Fórum Criminal de Bauru.
Na ocasião, 12 sindicalistas foram presos pela Polícia Militar numa manifestação realizada em frente à agência do Santander Banespa localizada na quadra 6 da rua Rio Branco, contra a demissão de três funcionários. A ação foi reprimida pela PM com gás pimenta, o que gerou confronto. Agora, o caso deve ser apreciado pela Justiça.
A reportagem do JC fez contato com a assessoria de imprensa do banco, mas até o fechamento desta edição a entidade não deu retorno.