Economia & Negócios

Bancos tendem a deixar de receber contas nas agências

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Em um futuro não muito distante, pagar contas e receber benefícios serão tarefas que não estarão mais disponíveis nas agências bancárias. Pelo menos é essa a tendência que se configura a cada dia, depois da criação dos correspondentes bancários (postos que realizam esse tipo de serviço).

Bancos como a Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil (BB) e Bradesco já estão tentando esvaziar suas agências, espalhando pela cidade diversos pontos de atendimento como esses.

Este panorama é apontado pelo Sindicato dos Bancários e por uma fonte credenciada ligada ao setor bancário, que prefere não se identificar. Segundo essa pessoa, para as instituições não é vantajoso manter um grande volume de não-clientes circulando dentro das agências. “Os bancos não querem mais manter em suas estruturas essa prestação de serviço, pois o que dá lucro para eles é a atração de clientes, e não a aglomeração de pessoas pagando conta”, destaca.

Um passo para essa mudança foi dado há cerca de cinco anos, quando o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a criação do correspondente bancário, uma espécie de “filial” das instituições instaladas em estabelecimentos comerciais. Através dele, é possível pagar contas diversas e receber benefícios.

Para o gerente de mercado do Escritório de Negócios da Caixa Econômica Federal (CEF), Wanglei Rodrigues Taú, o termo correto para essa expansão bancária é “conveniência”. “É um canal alternativo, de fácil acesso à população, que permite operações bancárias em diversos pontos de atendimentos nos bairros”, ressalta.

Segundo ele, essa ampliação do atendimento garante mais eficiência ao sistema, pois ele se torna mais acessível. “Há um número maior de pessoas sendo atendidas”, destaca.

Taú lembra que a CEF foi pioneira nesse método de popularização, quando delegou às lotéricas, há cerca de 15 anos, a tarefa de receber contas de telefone, água, luz e boletos em geral. “Hoje fazemos o pagamento de benefícios como FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e programas sociais do governo federal através desses postos bancários.”

De acordo com ele, todas as 23 casas lotéricas de Bauru estão incluídas nesse sistema, além de dez correspondentes bancários em padarias e supermercados.

Segurança

Um artigo publicado na revista Banco Hoje destaca que a criação dos correspondentes bancários abriu caminho para os bancos agirem com menos custo na conquista do mercado popular. “O cliente de baixa renda de hoje poderá ser o de renda maior amanhã”, destaca o texto.

O discurso dos bancos dá conta de que a expansão de atendimento se deve à perspectiva de inclusão bancária, ou seja, a captação de clientes de baixa renda que não costuma freqüentar as agências, a não ser para pagar contas.

Assim foi criado, por exemplo, o Banco Popular do Brasil, braço do BB pulverizado nos bairros e pequenas cidades. Ou o banco postal do Bradesco, que funciona em parceria com as agências dos Correios.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, Marcos Silvestre, essa popularização nada mais é do que uma maneira disfarçada de aumentar os lucros sem ter de fazer esforços para isso. “Os banqueiros precarizam o atendimento, sacrificam os funcionários e ainda saem lucrando”, frisa.

Segundo ele, operando dessa forma, as instituições podem manter o mesmo quadro de funcionários, evitam filas e concentração de pessoas nas agências e garantem mais movimentação financeira, já que seus correspondentes chegam aos mais distantes pontos do País.

Outro problema apontado por ele nessa situação é a questão da segurança. “Fala-se tanto da necessidade de proteção das agências contra assaltos, mas o fato é que operações bancárias estão sendo feitas em pontos sem estrutura para isso.”

O gerente de mercado da CEF, Wanglei Rodrigues Taú, discorda desse ponto de vista. Para ele, a pulverização do atendimento contribui para a menor concentração de dinheiro. “Além disso, grande parte das operações é feita nos caixas de auto-atendimento, o que diminui a circulação de dinheiro entre as pessoas”, destaca.

Comentários

Comentários