Governo Militar. Brasil verde oliva. Quem teve a glória de vestir essa farda nessa época foi um privilegiado. Esse caso que conto abaixo aconteceu na ápice da ditadura militar.
Um soldado PM, fazendo ronda com uma viatura, se deparou com um cidadão em um Galaxie transitando perigosamente, pondo em risco os outros e a si próprio. Conseguiu fazê-lo parar e nem precisou pedir os documentos, pois era visível o estado de embriaguez do motorista.
- Vou mandar ginchá-lo, disse o guarda.
- Vá tomar banho, respondeu o motorista.
- Tá errado e me desacatando? Vou levá-lo ao distrito.
E assim o fez. Chegando lá o policial relatou ao delegado o ocorrido e este, já indignado, mandou o policial fazer entrar o motorista bêbado, o que foi feito aos empurrões. Falou então o delegado:
- Então o senhor vem conduzindo o carro em zigue-zague, bêbado, é barrado pelo policial e ainda o manda tomar banho. E pra mim, o que você vai dizer?
- O senhor vá tomar no...
Irado, o delegado mandou o policial levar o embriagado para os fundos e descer o cacete, sem dó. E assim foi feito.
Foi uma surra de dar gosto. Quando terminava o corretivo, caiu do bolso do moribundo sua carteira com o brasão do Exército na frente. Com os olhos esbugalhados, o soldado olhou a patente: general. Deixou o cara (ou melhor o general) caído e correu até a sala do delegado.
- Doutor, o cara é general.
O delegado, pasmo, falou:
- E agora, o que vamos fazer?
- Vamos obedecê-lo, disse o PM. Eu vou tomar o meu banho que foi o que ele me mandou. Quanto ao senhor... bem o senhor ouviu, né...
Contada por Vitor Rodrigues Ruiz