Um país estranho chamado Brasil
Nesse país, chamado Brasil, acontecem coisas realmente muito estranhas. Prova disso são os depoimentos do senhor Marcos Valério e companhia limitada (ou será ilimitada?), na CPI. Ninguém conhece ninguém ou, quando conhece, tem uma amizade “daquelas”, a ponto de aceitar ser fiador em empréstimo de quantias altíssimas (tudo sem interesse, é claro; só na base da “amizade”).
Muito estranho... principalmente nos dias atuais em que grande parte dos mortais tem receio de ser fiador até de parentes próximos. No país das “estranhezas”, ainda que o sujeito tenha realizado falcatruas - comprovadas, diga-se lá de passagem - consegue “licença” para omitir a verdade quando interrogado sobre elas.
Não é estranho (e profundamente injusto) que tanta gente no Brasil trabalhe duro e ganhe um salário miserável, que mal dá para comprar comida, enquanto um grupo seleto se beneficie com vantagens especiais, popularmente chamadas de “mensalão”? (Será que é por isso que a gente, quando soube, se viu com uma bolinha vermelha no nariz e trajando roupa colorida?)
Entre perguntas daqui e dali, nosso povo assiste um autêntico show de “Caradepaudurismo”, em que os depoentes tentam esconder o lado mais sombrio (e corrupto) do ser humano com respostas evasivas e “sorrisinhos amarelos”, ora pincelados com ironia ou comentários de dizer a verdade, invejáveis a qualquer Antonio Fagundes ou Fernando Montenegro.
Estranhamente, ainda vemos que para alguém chegar ao ápice do sucesso financeiro basta, apenas, ser especialista na arte de mentir e ter mestrado em enganação.
Ao lado da estranheza de tudo, não pode faltar na terra do Carnaval, pagode e novelas, um toque de magia, em que coisas inexplicáveis acontecem.
Como explicar que numa CPI tão bem articulada ocorra o desaparecimento de um importante documento? Coisas que fazem os números do famoso Mister “M” parecerem brincadeira de criança.
Por fim, me pergunto como é possível que alguém consiga esconder, dentro da cueca, perto de quinhentos mil reais – algo impossível para grande parte dos consumidores masculinos, cujo tamanho deve variar entre “G” e “M”.
Ou será que já estão fabricando peças íntimas do tamanho “mega-super-extra G” com uma etiqueta: “Ideal para transportar dinheiro”? Bem, se isso acontecer, quem se importa? Afinal, esse é o país onde coisas estranhas acontecem mesmo...
Míriam de Fátima Pinto de Oliveira - professora e escritora