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PM recolhe 70 latas de cerol no V. Régia

Marcelo Ferrazoli e Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

A festa em comemoração ao aniversário de Bauru, no parque Vitória Régia, ontem de manhã, foi, ao mesmo tempo, um show colorido nos céus e uma sucessão de perigos na terra. Um festival de pipas dominou o cenário, colorindo o espaço. No entanto, a concentração de crianças e adolescentes no local colocou à prova a segurança das imediações. Muitos estavam portando linha com cerol, uma mistura de cola e vidro moído. Tanto que a Polícia Militar (PM) apreendeu cerca de 70 latas com o artefato no período da tarde. A quantidade foi tão grande que encheu o porta-malas de um carro da PM.

Além disso, como o trânsito estava interditado em apenas uma das pistas da avenida Nações Unidas, muitos jovens se arriscavam, correndo na frente dos carros em busca das pipas. Alguns estavam com varas de bambu para tentar capturar o brinquedo ainda no ar. Outros, subiam em árvores e invadiam residências pelo telhado, muro e portão.

Segundo o tenente Jorge Luís Dias, já esperando problemas do gênero, como ocorridos no ano passado na mesma data, a polícia intensificou a fiscalização nas imediações do Vitória Régia. “É preciso conscientizar pais e filhos sobre a utilização do cerol, pois eles podem ser penalizados”, adverte Dias.

O adolescente flagrado utilizando a mistura em sua linha pode ser encaminhado para a delegacia, juntamente com os pais, para ser lavrado o ato infracional, baseado no artigo 132 do Código Penal, que discorre sobre o ato de colocar a vida de outra pessoa em perigo. Como é inimputável, o menor não será penalizado.

Mas seus pais podem ser qualificados no artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por descumprimento do dever do pátrio poder, ou seja, por ter permitido que seus filhos brinquem com substância perigosa.

Como penalidade, eles terão que pagar uma multa que pode variar de três a 20 salários de referência. Dependendo do caso, o menor poderá também ser penalizado com medidas sócio-educativas.

O uso do cerol pode causar graves acidentes. Além de cortes profundos e até amputações de membros, como dedos, se a linha cortante atingir o pescoço de um motociclista em movimento, por exemplo, o risco de morte é grande.

O último caso de morte registrado em Bauru pelo uso da substância foi em 1999, mas todos os anos há acidentes com feridos, como o ocorrido, no mês passado, com o mototaxista José Luiz Sapata. Durante uma corrida, ele foi atingido por uma linha de pipa com o produto quando passava pela avenida Jânio Quadros e sofreu um corte superficial em uma das mãos.

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