O capitão-aviador Emerson Mariani Braga, responsável pela área de comunicação social da Esquadrilha da Fumaça, é um dos sete aviadores que coloriram o céu de Bauru, ontem, na data de seu aniversário, após quase dez anos da última apresentação na cidade. Conscientes da representatividade do Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), mais conhecido como Esquadrilha da Fumaça, no Brasil e no mundo, os pilotos orgulham-se de conduzir uma aeronave nacional e despertam o imaginário de crianças, jovens e adultos por onde se apresentam.
Braga comenta que durante as exibições, algumas pessoas questionam o motivo pelo qual eles não utilizam um avião a jato e sim o T-27 Tucano, fabricado pela Embraer. “Nós estamos plenamente satisfeitos com o nosso avião. A gente voa em um avião completamente desenvolvido no Brasil, pintado com as cores da bandeira nacional, isso é um diferencial representativo muito grande. E isso a gente leva para fora do Brasil também.”
No mês passado, a Esquadrilha da Fumaça esteve representando o Brasil na França, momento em que os aviadores fizeram a travessia do oceano Atlântico, sem piloto automático e outros recursos para viagens mais longas. “O planejamento foi feito com bastante antecedência, mais de seis meses, pensando em todos os preparativos e tudo foi conforme o planejado. A nossa expectativa em relação ao vôo era bastante grande.”
Eles precisaram adaptar tanques de combustível que ampliassem a autonomia de vôo para 10h, além de contar com o acompanhamento de uma aeronave Hércules, da Força Aérea Brasileira (FAB), que ofereceu também o suporte de radar, permitindo o desvio de áreas mais turbulentas. A Esquadrilha da Fumaça fez o encerramento do desfile militar que comemorou a data nacional francesa, o que superou as expectativas.
No total, a Esquadrilha da Fumaça conta com 12 aeronaves e 11 pilotos, dos quais oito participam das apresentações. Em Bauru, o aviador Braga pilotou o Fumaça 6, que, ao lado de outros seis Tucanos, fizeram acrobacias aéreas. Durante os vôos, seis aviões fazem apresentações sincronizadas, e o Fumaça 7, pilotado por um dos mais experientes pilotos da Esquadrilha, o capitão-aviador Ronaldo Venâncio, que fez as exibições solo. Todos são orientados pelo comandante tenente coronel-aviador Ricardo Reis Tavares.
Curiosidade
A Esquadrilha da Fumaça realizou sua primeira exibição oficial em 14 de maio de 1952. A Fumaça, como é até hoje conhecida do público, utilizou, até serem desativados, em 1977, os aviões norte-americanos NA T-6 Texan, construídos sob licença no Brasil durante a 2.ª Guerra Mundial. No final dos anos 60, por um breve período, operou os jatos de fabricação francesa Super Fouga Magister, denominados T-24 na FAB.
Reativada em 1982, com a denominação oficial de Esquadrão de Demonstração Aérea, a Esquadrilha da Fumaça utiliza, desde então, os turboélices de treinamento T-27 Tucano, fabricados no Brasil pela Embraer.
Em Bauru, foram realizadas algumas manobras exclusivas. Uma delas está no Guiness Book of Records. A Esquadrilha da Fumaça é a única equipe do mundo em acrobacia aérea a superar o próprio recorde: voar em formação, de cabeça para baixo: o primeiro prêmio conquistado em 1986, se deu com o vôo de dez aeronaves e, em 2002, ano do seu cinqüentenário, voando com 11 aeronaves. Mais informações no site www.esquadrilhada fumaca.com.br.
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Para integrar a equipe
O capitão-aviador Emerson Mariani Braga explica que para ser piloto da Esquadrilha da Fumaça é necessário passar por um processo seletivo, mas é necessário fazer parte da Força Aérea Brasileira. “Além disso, é necessário ter pelo menos 1.500 horas de vôo, das quais 800 como instrutor.” Todos os anos, há de 20 a 30 candidatos para preencher uma ou duas vagas. “A concorrência é grande.” Braga explica que o piloto permanece na Esquadrilha por quatro anos, quando sai para dar a oportunidade a outros oficiais. “Costumamos dizer que qualquer piloto da FAB poderia estar dentro da Esquadrilha, só precisaria receber o treinamento adequado.”
Os pilotos sempre fazem vôos de treinamento antes de cada apresentação, com a equipe que irá participar. Braga explica que no início do ano, quando é feito treinamento de novos pilotos, é formulada a exibição da Esquadrilha da Fumaça e este formato não é mais modificado durante o ano todo. “A gente não inventa nada. Hoje a gente sabe exatamente como será o vôo, treinamos isso. E são sempre os mesmos pilotos em cada posição, eu, por exemplo, sou o número 6, então vou voar sempre como número 6. Eu não sei voar como número 5, número 4, é muito específico. Você fica especialista e também evita que haja confusão.”
Braga comenta que uma das missões da Fumaça é incentivar a atividade aeronáutica, aproximar o meio aeronáutico civil e militar. “Bauru é um pólo disseminador de conhecimentos aeronáuticos, tem escola de aviação, atividade de planador constantemente. A presença da Esquadrilha na cidade, acreditamos, seja um grande incentivo para as pessoas continuarem a procurar a aviação, muito importante para o desenvolvimento nacional.”