Neste grande coração localizado na região central do estado de São Paulo, chamado Bauru, inúmeras veias pulsam pelo desenvolvimento da cidade. São pessoas, associações, organizações não-governamentais (ONGs), empresas e órgãos públicos, que por meio de ações individuais e coletivas vão gradativamente mudando o município, que hoje comemora 109 anos.
A união de esforços é apregoada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como fundamental para se atingir os Oito Objetivos do Milênio, conjunto de metas a serem cumpridas até 2015.
Todos podem, de acordo com a ONU, trabalhar pelo desenvolvimento. De acordo com o organismo, há oito jeitos de fazê-lo: acabar com a fome e a miséria; educação básica de qualidade para todos; igualdade entre sexos e valorização da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combater a aids, a tuberculose e outras doenças; qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; e todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
Um dos cidadãos de Bauru que participa desse movimento pela cidadania e desenvolvimento é a professora aposentada Mercedes Zanardi Zanatta, que há oito anos é voluntária de um curso preparatório para gestantes. Aproveitando sua experiência em sala de aula e como mãe de dois filhos, ela aderiu ao Projeto Gestar, mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade, para passar informações que possam garantir a mulheres grávidas uma gestação mais saudável e emocionalmente mais estável.
“Como não queria perder o vínculo com a sala de aula, achei que participar do projeto seria uma maneira de ajudar essas mulheres a renovarem suas atitudes em relação aos bebês que esperam. Tem sido gratificante. O grupo de voluntários é grande e todos estão realmente envolvidos com a maternidade”, relata.
A enfermeira Maria Helena Lemos Pires também tem centrado esforços e tempo extra na orientação a gestantes e mulheres que já deram à luz, mas com foco no aleitamento materno. Ela participa de um grupo de voluntários que procura indicar os pontos positivos da amamentação e alertar para o lado negativo da ‘cultura da mamadeira’. O trabalho tem rendido frutos, como a criação da ONG Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Gaame), a primeira da cidade a atuar nesse setor. “Foi um trabalho de formiguinha, em que percebemos que a união faz a força. Nossa única motivação é ajudar o outro”, afirma Pires.
O casal Maria Luiza e Teiji Matsuoka dedica-se a auxiliar o próximo na educação dos filhos, a fim de melhorar o relacionamento familiar. Eles fazem parte da Escola de Pais do Brasil (EPB) – Seccional Bauru, uma entidade sem fins lucrativos que realiza seminários em empresas, igrejas, condomínios, creches e outros espaços públicos sobre conscientização da paternidade responsável, conhecimentos básicos de psicopedagogia e técnicas educativas para reformular conceitos e convivência entre pais e filhos.
“Não damos receita. Nossa proposta é integrar pais de forma a trocar experiências, anseios, idéias e objetivos para que melhorem o relacionamento familiar”, explica Teiji, que é engenheiro. “Educar não é uma tarefa fácil, mas pode se tornar menos complicada quando compartilhamos experiências por meio de vivências. O resultado tem sido animador”, salienta a psicóloga Maria Luiza, uma das várias voluntárias da EPB, atualmente presidida por Elisabeth e Fernando Jorge Salomão.
Há cinco anos em Bauru, o advogado Aurélio Adami empenha-se como voluntário da Sociedade de Apoio às Pessoas com Aids de Bauru (Sapab). “Não é algo fácil, porque ainda hoje existe preconceito muito grande a tudo que se relacione à aids, além de falta de recursos e voluntários. Mas não perco a coragem, porque o trabalho é importante e necessário. Sou motivado pela tentativa de melhorar a sobrevida dos pacientes”, argumenta.
Ferroviário aposentado, Cesário Carlos Oliveira afirma que ajudar o próximo lhe traz saúde e prazer. É dele a iniciativa de criação de um jardim público na rua Ivo Marcelino, no Jardim Monlevade. Há 50 anos no local, ele fez calçada, bancos e canteiros, cujas mudas são produzidas em um viveiro na sua casa.
“Comecei sozinho e hoje muita gente ajuda, poucos danificam, porque o bonito traz a bomdade das pessoas à tona. Exercitar o lado bom faz bem para a alma e traz progresso para o mundo”, ensina Oliveira.