Bauru 109 anos

Igualdade entre os sexos: Progresso rápido

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Assim como na América Latina, as mulheres bauruenses já são maioria nos ensinos médio e superior. Na educação infantil, as meninas progridem rapidamente para ocupar igual quantidade de vagas nas escolas, enquanto no ensino fundamental representam a maior parte dos estudantes da rede estadual e 48% na rede municipal.

Tal avanço na eliminação da disparidade entre os sexos entre todos os níveis de ensino, na avaliação da Organização das Nações Unidas (ONU), é fundamental para a conquista da igualdade entre os gêneros, com reflexos em outras dimensões sociais.

Para a secretaria municipal da Educação, Ana Maria Lombardi Daibem, a participação igualitária nos bancos escolares entre meninas e meninos é uma questão de tempo. Atualmente, das 12.936 vagas da rede municipal de ensino infantil (zero a 6 anos), 48% são ocupadas por alunos do sexo feminino. A mesma proporção é observada na esfera do ensino fundamental.

“Os números indicam que está havendo uma igualdade de acesso. Isso é importante na medida em que a menina deixa de ter como única opção a formação no trabalho doméstico”, avalia.

Na rede estadual, onde as meninas são responsáveis pela maioria das 28.261 matrículas do ensino fundamental registradas no primeiro semestre de 2005, a tendência também é observada nas classes do ensino médio.

“A questão das diferenças tem sido trabalhada em sala de aula. Nossa preocupação é que o aluno seja habilitado para fazer leituras sobre essa questão, como também da sexualidade, do mercado de trabalho, enfim, de todos os momentos da sociedade. Queremos que eles façam leituras para a vida”, frisa Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, dirigente regional de ensino de Bauru.

Essa preocupação vem ao encontro do alerta da ONU quanto aos conteúdos programáticos das disciplinas. De acordo com o organismo, ainda perduram no ensino médio os conteúdos que mantêm as diferenças de gênero, o que indica um distanciamento do terceiro dos Oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que é promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres.

Segundo Rosa Maria Morcelli, atual presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, a manutenção dos conteúdos tradicionais dificultam a preparação para o reconhecimento das diferenças, exercício fundamental para que as mulheres possam acessar instrumentos de cidadania, como votar em candidatas do sexo feminino nas eleições a cargos públicos.

“O banco escolar não forma as pessoas para conhecer os direitos constitucionais, entre os quais a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres. E como não se é preparado para reconhecer as diferenças, quando se deparada com elas na prática não se sabe como lidar com isso”, afirma Morcelli.

A escola também está no centro da mudança de comportamento para reverter o índice de violência familiar. Segundo dados da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), uma em cada três mulheres é vítima de violência. Desse total, 33% informam ter sofrido abuso sexual e 45%, ameaças por parte de seus companheiros.

“Para reduzir a violência doméstica, basicamente precisamos reeducar, a fim de substituir o modelo machista que passa a idéia que o homem é superior à mulher. Isso começa dentro de casa, com a mãe educando os filhos, e continua na igreja e na escola. A escola, aliás, é um parceiro poderoso”, sustenta Marilda Pansonato Pinheiro, delegada assistente da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru.

Objetivo

Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

Meta

• Eliminar a disparidade entre os sexos no ensino fundamental e médio, se possível até 2005, e em todos os níveis do ensino até fins de 2015

Estratégias

• Reduzir as diferenças de renda entre homens e mulheres

• Reduzir os índices de violência familiar

• Ampliar a participação feminina nos parlamentos

• Reduzir os índices de analfabetismo entre mulheres

Fonte: ONUM

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