Esportes

Pólo aquático: Após Mundial, bauruense espera mais incentivo

David Cintra
| Tempo de leitura: 4 min

Duas atletas bauruenses integraram a Seleção Brasileira Feminina de Pólo Aquático que disputou a Liga Mundial, nos EUA, e o Mundial de Esportes Aquáticos, em Montreal, no Canadá. A marcadora de centro Bárbara Amaro e a centro Luiza Carvalho, ambas jogadoras do Paulistano, representaram a cidade nos dois torneios.

Luiza, de 22 anos, já é uma “veterana” em seleções e tem no currículo diversas competições internacionais. Bárbara, de 19 anos, por sua vez, participou pela primeira vez de um torneio de grande porte.

As colocações da Seleção nos dois torneios não foi das melhores. Na Liga, caiu na primeira fase e no Mundial, ficou em 13º. No entanto, Bárbara avaliou positivamente a participação brasileira, ante as circunstâncias.

“Crescemos muito. O problema é que a gente não treina, não temos campeonatos fortes como as européias. Para esses torneios, nós nos reunimos dez dias antes. Mesmo assim nós evoluímos, provamos que podemos jogar de igual para igual contra qualquer time, mas faltou experiência para fazermos os resultados. Contra a Holanda estivemos à frente o tempo todo e perdemos no final. Contra a Alemanha estávamos ganhando até o último minuto e tomamos o gol de empate”, avaliou Bárbara.

Pessoalmente, a jogadora disse ter sido um grande experiência jogar contra adversárias mais fortes. “Para mim foi especial, porque foi a primeira vez que participei de um campeonato com o que tem de melhor no pólo mundial. Pude viver situações de jogo que aqui nunca passei. O ritmo de jogo no Mundial é muito forte, você tem de tomar decisões muito rápidas, foi um aprendizado e tanto”, contou.

Segundo Bárbara, a Seleção deixou uma boa impressão em Montreal, apesar do 13º lugar. “Todo mundo (em Montreal) viu que a gente deu resultado. O Brasil foi bastante comentado lá, principalmente porque temos uma equipe muito jovem. Além de mim tem mais duas meninas em idade júnior e a média de idade é de 23 anos”, revelou.

No entanto, a atleta lembra que o aprendizado pode se perder, caso a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) não dê mais apoio à modalidade. “Tenho certeza que todas que foram no Mundial evoluíram muito, mas agora podemos ficar um tempão sem jogar. Tudo que ganhamos em ritmo de jogo pode ser perdido”, afirmou.

Segundo Bárbara, a CBDA prometeu uma série de melhoramentos para o pólo. “Nos disseram que este ano vão trazer equipes de fora para jogar aqui que teremos nutricionista e preparador físico, etc. A meta é chegar forte no Pan-2007 (no Rio de Janeiro). Inclusive, disseram que no próximo dia 26 de agosto vamos fazer uma avaliação física. Agora resta saber se tudo isso vai acontecer mesmo, porque em outras ocasiões foi falado que ia ter mais investimentos e não teve. Estamos na expectativa porque fomos muito elogiadas no Mundial”, disse.

Apesar das muitas dificuldades, Bárbara não pensa em ficar longe da piscina. “Eu passei por uma fase difícil, fui cortada do Pré-Mundial, porque precisava melhorar a parte física. Fui atrás, emagreci e consegui ser convocada novamente.Foi muito bom estar lá, entre as melhores do mundo. Só de assisitir a decisão do terceiro e quarto lugar eu pensava: ‘Como eu queria estar ali’. Então o que eu mais quero agora é treinar, evoluir, porque eu fui convocada, mas para continuar na Seleção sei que tenho de treinar muito, porque tem mais gente nova chegando. Desistir eu não desisto”, finalizou.

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Investimento

Se a bauruense Bárbara Amaro reclama que o pólo aquático brasileiro precisa de mais investimentos para continuar evoluindo, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) divulgou ontem, em seu site oficial, que “está de olho no futuro”.

Segundo a nota, o chefe da delegação brasileira, Jorge Pagura, fez vários contatos em Montreal para realizar um Torneio no Rio de Janeiro e em São Paulo com equipes de ponta da modalidade. “Fizemos o convite a alguns times e agora esperamos a confirmação para realizar o torneio entre setembro e outubro. Acho que a equipe técnica fez um excelente trabalho desde que assumiu há apenas quatro meses. Todo o treinamento do segundo semestre já está planejado e estamos vendo a possibilidade de um intercâmbio para que elas não fiquem tanto tempo afastadas do contato com grandes seleções”, afirmou.

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