Quando cheguei à cidade de Bauru, em 1996, ouvia todas as manhãs nas rádios as reclamações e demais sandices do então prefeito eleito pela população bauruense sobre a situação financeira deixada pelo alcaide anterior. Não o conhecia e nem tampouco sabia se as suas afirmações raivosas eram ou não pertinentes. O tempo passou e o prefeito acusador foi afastado pela Câmara, preso, julgado e condenado por uma série de irregularidades. Está até hoje às voltas com a Justiça e a prisão.
Ao ser afastado, deixou em seu lugar o vice que assumiu por um período de dois anos, tempo em que passou justificando a não realização dos anseios da população em virtude da situação financeira herdada de seu ex-companheiro de chapa.
Em 2000, ocorre a reeleição do então ex-vice-prefeito em eleições ainda realizadas em apenas um único turno. A população dava ao alcaide a oportunidade de mais quatro anos para que ele pudesse resolver, com seus próprios projetos, aquilo que não fizera nos dois anos anteriores.
Os anos foram passando e a euforia inicial deu lugar ao ceticismo e a informações desencontradas. Ora, as finanças estavam em dia e as dívidas saneadas, ora a situação era caótica. Prevaleceu a segunda alternativa e quatro anos foram jogados fora, literalmente, para o eleitorado de Bauru.
Em 2004, o candidato do prefeito foi arrasado nas eleições que levaram ao poder um candidato que já havia sentido o gosto de ser o mandatário mor do município anos atrás. A população, embora dividida entre dois candidatos na reta final, acabou decidindo a favor do “mais experiente” no segundo turno. Eleito, o candidato toma posse e começa então a agonia silenciosa da sociedade bauruense, pois a única manifestação do novo prefeito diz respeito à velha situação financeira.
Ou seja, nos últimos 12 anos, todos que assumiram a prefeitura o fizeram de livre e espontânea vontade. Todos sabiam da situação financeira pois tinham acesso à radiografia do paciente antecipadamente. E o que é pior: prometeram em palanque fazer, o que sabiam, não ser possível. O prefeito eleito está no cargo há, aproximadamente, 210 dias e tem contra si um inimigo que não pode ser vencido, que não pode sequer ser visto, o tempo. Os dias correm, os meses voam e quando se der conta estará à margem de seus últimos momentos à frente da gestão do município de Bauru.
Os problemas não foram resolvidos, reina a pasmaceira e o silencio é total nas ruas da cidade sem limites, onde os buracos dominam, a sujeira invade logradouros públicos e questões graves como o reajuste dos funcionários públicos e a saúde são tratadas de forma muito aquém daquilo que se esperava de um homem “experiente” e que sabia, repito, da situação caótica que encontraria quando abrisse o cofre.
Resumindo, todos são iguais nas promessas, nas desculpas esfarrapadas e no rastro que deixam quando são escorraçados pelo povo nas urnas um belo dia. E assim caminha a humanidade, pagando impostos, sofrendo restrições de toda ordem e não tendo nenhuma perspectiva de um dia ver sua cidade tratada com o respeito que merece.
Nesse momento, aqueles que votaram no segundo colocado murmuram pelos bares e esquinas da cidade: "Se o meu candidato tivesse vencido as coisas seriam diferentes". E seriam mesmo. Ao invés deles, nós, que votamos no atual prefeito, é que estaríamos nas mesmas esquinas e bares vociferando contra o candidato deles.
Mudam-se os nomes, mudamos de cidade, mas uma coisa não muda jamais em nosso País: a qualidade dos políticos e do serviço que nos prestam enquanto estão à frente do poder público. Lamentável.
Rafael Moia Filho