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Por que não fez?


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Para a maioria dos analistas políticos, o presidente começou a perder o controle sobre seu, vá lá, governo e a se tornar refém de negociatas escusas no momento em que ele impediu a apuração do caso Waldomiro Diniz – o WD, braço forte do então todo poderoso ministro-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP).

É voz corrente entre analistas que, se naquele momento, o presidente da República tivesse agido em direção contrária, dando força às investigações, afastando, preventivamente, José Dirceu, as lambanças teriam sido bem menores e o País hoje não estaria vivendo uma crise política – e econômica, porque ela, infelizmente virá – de tal grandeza.

Não faltam, entre os críticos, quem atribua a omissão de Lula, para sermos generosos, à sua proverbial dificuldade de tomar decisões e demitir amigos. Eis uma versão que, na verdade, cai feito luva macia para quem até agora não se dignou a dizer à sociedade brasileira se ele, o presidente da República, sabia ou não da existência da lama tamanha, que a imprensa traz a público todos os dias.

Nós sabemos que ele sempre soube. Não me dirijo aos tolos. Deles, nem Jesus se ocupou.

Interessa a Lula – que, a bem da verdade, nunca teve senso de ridículo – se fingir de vítima de conspirações inexistentes. A questão que não se cala é bem outra: por que lá atrás, no início de 2004, ele e seu “governinho” não permitiram a instalação de uma CPI que nos permitiria saber se Waldomiro Diniz agia por conta e risco ou se estava no exercício de um papel que lhe fora delegado por gente mais importante – José Dirceu, por exemplo?

Ora, tudo, mas tudo mesmo, nos leva a crer que Lula sempre soube de tudo. Idiotas jamais, em tempo algum, chegarão lá. Lula tem método. Finge-se de morto porque lhe convém. A cova é rasa. E aí reside seu azar – e a sorte miúda de quem não tergiversa.

Se lhes pareço um pouco duro, paciência.

Lula sabe, sempre soube, por exemplo, das fartamente denunciadas traficâncias postas em curso pelo compadre e empresário Roberto Teixeira, que lhe deu moradia pomposa e gratuita por oito longos anos – em troca, claro, de facilidades que apenas os prefeitos petistas, com o dinheiro público, poderiam lhe dar. E o que fez Lula, diante das denúncias do economista e fundador do PT Paulo de Tarso Venceslau? Fez o óbvio. Trabalhou para que o denunciante fosse expulso do partido. Em benefício do compadre.

Isto é Lula. Há quem goste. Eu não!

O autor, Milton Flávio, é professor de Urologia da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, e vice-líder do governo na Assembléia Legislativa de São Paulo

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