Boracéia - Dois policiais militares de Boracéia (41 quilômetros de Bauru) são acusados de tentativa de abuso sexual contra garotas menores de idade durante uma festa no mês passado.
A denúncia foi feita pela mãe de uma das meninas que esteve na festa. Por envolver, indiretamente, políticos da cidade, o caso está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Jaú.
O inquérito já está em andamento e o delegado Edmundo Ciro Vidal acredita que irá concluí-lo dentro de 30 dias. Algumas garotas já foram ouvidas e elas acusam os policiais de tentarem beijá-las e acariciá-las à força.
A festa foi realizada em uma chácara, que fica às margens do rio Tietê, em Boracéia, no dia 22 de julho. Segundo consta do inquérito policial, nesse dia, à tarde, houve um encontro de políticos na chácara, que pertence ao presidente da Câmara, José Carlos Scipioni (PFL).
Como sobrou bastante carne do encontro da tarde, alguns funcionários da prefeitura decidiram esticar a festa até a madrugada. Por volta das 23h, eles pegaram o carro e foram até a cidade buscar algumas garotas para participar do churrasco.
Eles voltaram para a chácara com cinco garotas. Apenas uma era maior de idade. As demais tinham entre 12 e 16 anos. Pouco depois chegaram o presidente da Câmara e o vice-prefeito, Osvaldo Giante (PSDB). Eles ficaram ali por um tempo e foram embora, junto com outras pessoas que participavam da festa.
Ficaram na chácara apenas as meninas, dois funcionários da prefeitura e dois policiais militares. Ambos estavam em serviço. Ou seja, fardados e com a viatura da polícia. Foi quando os fatos teriam se iniciado.
Segundo relataram as meninas, em depoimento na Delegacia Seccional de Jaú, já de madrugada os policiais teriam começado a tirar a roupa lentamente, simulando um strip-tease e teriam passado a agarrá-las à força, tentando dar beijos e forçando até mesmo um relacionamento mais íntimo.
Elas contam ainda que um dos policiais chegou a dar a arma, sem munição, na mão de uma das meninas na tentativa de “ficar” com ela. No entanto, sem sucesso, segundo as meninas.
Elas declaram inclusive que durante a permanência dos policiais na festa teria ocorrido uma briga na cidade. Teria sido solicitada a presença da viatura, mas os policiais não atenderam ao chamado.
O delegado seccional informou que ainda não foi possível esclarecer qual a participação de cada envolvido nessa história. Um dos crimes possíveis é a violência presumida, quando a vítima tem menos de 14 anos.
Por ter ocorrido em uma cidade pequena (Boracéia tem cerca de 4 mil habitantes), o caso ganhou destaque nas rodas de conversas e as meninas que estiveram na festa “ganharam fama”. A “notoriedade” não agradou a mãe de uma das meninas que procurou a polícia e denunciou o fato.
O vice-prefeito da cidade foi procurado pela reportagem para falar sobre o inquérito, mas ele declarou que não sabia de nenhuma denúncia. O presidente da Câmara não foi localizado para comentar o assunto. Funcionários do Legislativo alegaram que não tinham autorização para informar o telefone de nenhum dos vereadores.
Os policiais militares envolvidos na denúncia foram transferidos para outras cidades, onde devem permanecer até o encerramento do inquérito. Além do delegado seccional, o trabalho de investigação conta com o apoio da delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú, Alessandra Tiritan de Souza.