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Clima seco coloca município próximo ao estado de atenção

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 4 min

Inverno seco, sem chuvas e temperaturas elevadas. Resultado: baixa umidade do ar e aumento de problemas de saúde. Nos últimos dias, a porcentagem usada para medir a quantidade de água em forma de vapor na atmosfera deixou a cidade no limite do estado de atenção. Os 33% registrados ontem pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru estão 20 pontos abaixo do mínimo ideal para esta época do ano.

A umidade relativa do ar durante a primeira semana deste mês ficou entre 30% e 40% na parte da tarde, o suficiente para soar o alarme de estado de atenção. De acordo com as normas estabelecidas pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), quando a umidade fica entre 20% e 30% são necessários cuidados como evitar atividades físicas entre 10h e 16h e ingerir líquido com freqüência para evitar a desidratação. Além do estado de atenção, existem o de alerta (entre 12% e 20%) e o de emergência (inferior a 12%).

“Essa é a estação mais seca do ano. Estamos há vários dias sem chuva e temos temperaturas altas, o que diminui a umidade do ar”, explica o meteorologista do IPMet Adelmo Antonio Correia. Segundo ele, em agosto do ano passado os índices chegaram aos 20%. “Agora começa a complicar porque setembro é mais seco e começa a esquentar. Podemos ficar entre os estados de atenção e o de alerta”, acredita.

As porcentagens menores são registradas na parte da tarde, quando há aumento da temperatura. Durante a noite, a umidade aumenta e atinge o nível máximo de madrugada. Na anterior, por exemplo, o IPMet registrou 76%.

Conseqüências

“Não venço tomar água. A garganta fica seca toda hora”, conta o ajudante de obras Roberto de Oliveira. O ressecamento da garganta e da pele são apenas alguns dos problemas ocasionados pelo clima seco. O pneumologista Carlos Eduardo Sacomandi explica que o ar mais seco provoca uma certa desidratação das mucosas das vias respiratórias, principalmente no nariz, nos seios da face, na laringe e na traquéia. “Com isso ficam menos resistentes aos agressores externos, como os vírus”, lembra.

Devido a esta fragilidade, é comum haver sangramento nasal, aumento de casos de gripes, resfriados e a piora de quadros alérgicos. “As crianças e idosos sofrem mais porque desidratam com mais facilidade e a imunidade é menor”, lembra a pneumologista Deborah Maciel Cavalcanti Rosa.

No Pronto Atendimento Infantil (PAI) da cidade, os atendimentos podem aumentar até 30% entre julho e setembro. De acordo com a chefe do PAI, Sandra Caldeira Veloso Cariello, dores de garganta, faringites e alergias lideram as queixas das crianças. Mas os adultos não ficam livres dos desconfortos. “É preciso tomar cuidado para não complicar para doenças mais sérias, como pneumonia”, alerta Cariello.

Manter o corpo hidratado e evitar atividades físicas intensas durante o dia são algumas das sugestões dos especialistas. O ajudante de obras Oliveira, entretanto, tem que descumprir a regra todos os dias. “Não tem como fugir do sol. O que mais pega é a gripe. Mas a vida é essa, né?”, brinca.

Em situação parecida está o gari Pedro Paulo Rodrigues. Há seis anos na profissão, ele trabalha das 7h às 17h e usa o boné como protetor. “À tarde cansa mais, tem que fazer um intervalinho de vez em quando”, conta.

O meteorologista Adelmo Correira lembra que as queimadas podem piorar a sensação de seca, devido ao aumento da temperatura. Além disso, a fumaça pode causar intoxicação e problemas respiratórios.

“O tempo seco favorece as queimadas”, explica o tenente do Corpo de Bombeiros Glaucio Cafalchio. Levantamento preliminar feito pela organização mostra a ocorrência de 349 focos de incêndio em matas e terrenos apenas no primeiro semestre deste ano. Em 2004, o número chegou a 418. “O período mais crítico é agora; no final do ano diminui”, justifica Cafalchio.

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Clima seco

• Umidade relativa do ar é a quantidade de água em forma de vapor na atmosfera. Quanto menor, mais seco fica o ar.

O que causa

• A ausência de chuvas e as altas temperaturas diminuem a umidade, principalmente durante o dia.

Média das últimas tardes

• Entre 30% e 40%

Média ideal

• Acima de 50%

Cuidados

• O ar mais seco provoca desidratação das mucosas das vias respiratórias, principalmente, nariz, laringe e traquéia, tornando-os menos resistentes aos fatores externos, como vírus, por exemplo.

Problemas mais comuns

• Ressecamento da garganta e da pele, obstrução nasal, faringite e piora dos casos de rinites, bronquites e alergias

Prevenção

• Beba água durante todo o dia

• Use cremes hidratantes e protetores solares

• Faça limpeza nasal com solução fisiológica pelo menos três vezes ao dia

• Evite aglomerações

• Não fique em locais onde tenha fumaça

• Mantenha ambientes fechados limpos e sem poeira

• Distribua bacias de água ou toalhas umedecidas nos cômodos da casa

• Evite atividades físicas nos períodos mais quentes, das 10h às 16h, para não causar desidratação

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