Bairros

Incêndio destrói barraco em favela

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A esperança do casal Marta Eliana da Silva e Nélson Ferreira Proença de levantar um teto para morar com os filhos de 9 e 10 anos, abrigados na Casa da Criança, ruiu ontem à tarde. O barraco de dois cômodos, ainda em construção e coberto por lona, foi totalmente consumido num incêndio. Por sorte, o fogo não se alastrou para outras moradias da favela do Jardim Maria Célia, onde vivem cerca de 30 famílias.

“Eu ouvi uma explosão e os gritos de socorro. O fogo estava próximo à minha cerca. Fiquei com medo que chegasse em casa”, desabafa Lauricéia Gomes da Silva, vizinha das vítimas. Ela, assim como outros moradores do local, ajudou a consolar o casal. Todos são moradores da rua Terezinha de Jesus Nápoles Martins.

“Faz um mês que viemos de Londrina para arrumar serviço fixo aqui em Bauru. Eu catava papel que nem louca pela rua para fazer a casa. Estávamos levantando o banheiro. A assistente social disse que com a casa, eles (os dois filhos) poderiam voltar a viver com a gente. Agora não tenho mais nada”, diz Marta.

De acordo com ela, o incêndio partiu do fogão a lenha, onde o arroz que seria servido no almoço era preparado. “Eu tenho fogão normal, mas não tinha gás. Usei o de lenha. É duro ser pobre. Agora perdi tudo”, repete, enquanto Nélson observa o que sobrou do carrinho utilizado para recolher papel.

Mas um ferro-velho situado nas proximidades da favela se dispôs a fazer outro carrinho, informa Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil. O órgão encaminhará o casal, na segunda-feira, ao plantão social da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) para que as vítimas possam solicitar a emissão de novos documentos.

“Não consegui salvar nem os papéis porque o fogo estava alto. Só tive tempo de puxá-la e tirá-la de lá”, explica Nélson. Ele e a mulher foram acolhidos por uma vizinha, que recebeu da Defesa Civil colchonetes e cobertores. Mesmo assim, o Albergue Noturno foi comunicado para recebê-los, caso ocorra algum imprevisto. “Vamos tentar conseguir material para reconstruir (a moradia)”, acrescenta Brito.

O barraco tinha cerca de 18 metros quadrados e foi queimado antes mesmo da chegada do Corpo de Bombeiros, que utilizou cerca de 1.500 litros de água para apagar as labaredas.

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