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Emdurb alega respeito à legislação

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Algumas das queixas dos motoristas quanto aos conflitos encontrados no trânsito de Bauru referem-se, de acordo com representantes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a determinações do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Um exemplo são as várias mudanças no limite de velocidade determinado para algumas vias da cidade. Com escritório despachante instalado na avenida Castelo Branco, Sidivaldo Ferreira considera as oscilações na velocidade um transtorno para os motoristas.

“Até para a pessoa que anda compatível com a norma fica difícil respeitar, principalmente porque eles põem o limite de 30 quilômetros por hora numa via de trânsito rápido, saída da cidade”, observa. E isso se repete em diversas outras vias importantes, como Duque de Caxias e Nações Unidas.

Mas a encarregada do Setor de Planejamento Viário da Emdurb, Mariana Segamarchi, garante que padronizar o limite em uma velocidade única por toda a extensão dessas avenidas é inviável.

“A Resolução 39 da legislação de trânsito determina a redução de velocidade em trechos que antecedem obstáculos na pista, trechos próximos de escolas, entre outras situações. Na Nações Unidas, no trecho onde há vias marginais, o limite de velocidade é maior porque não há cruzamentos na pista, mas diminui próximo às faixas de pedestre. Essas variações respeitam determinações legais”, reforça.

A mesma justificativa é dada em relação à rotatória de acesso ao Makro. Se em alguns lugares o problema é a falta de sinalização, ali a reclamação dos motoristas é pelo excesso. O cruzamento envolve cinco vias e há seis placas de parada obrigatória, ou seja, nenhum sentido é preferencial.

“Acho a coisa mais estranha do mundo. Quem chega primeiro entra na rotatória. Quando um fica indeciso, os dois param, aí, quando o outro resolve ir, o primeiro vai também”, descreve uma motorista, que pede para não ser identificada.

“Acho que está errado isso. Fica complicado, esquisito. Sem contar que não tem espaço direito para um caminhão grande. A gente não consegue virar de uma vez e, se for dar ré, fica pior, então a gente acaba passando com o pneu no canteiro”, completa o caminhoneiro Getulino Sachetti.

De acordo com o gerente de Planejamento e Operações Viárias da Emdurb, Aníbal dos Santos Ramalho, a sinalização da rotatória está adaptada às normas estabelecidas no CTB. “A rotatória era a melhor opção para agilizar o trânsito numa região com fluxo razoável, mas onde não cabia um semáforo. E segundo a legislação, em rotatórias a preferência é de quem está nela, não podemos indicar uma preferencial”, afirma.

Nos bairros

No Jardim Santana, é a dificuldade em cruzar os trilhos que incomoda alguns motoristas ouvidos pela reportagem. A única possibilidade de acesso ao outro lado é pela rua Aimorés e todas as outras vias paralelas desembocam numa rua marginal à ferrovia.

Segundo Segamarchi, a restrição aos acessos em passagem de nível é uma maneira de garantir a segurança da população. “Acidentes com composições são muito graves. Quanto mais a gente restringe as possibilidades de acesso, mais fácil é controlar o fluxo e o respeito às cancelas instaladas nestes locais. Não é interessante abrirmos mais acessos sobre os trilhos”, observa.

Outra “armadilha” para motoristas desavisados são as alamedas em semicírculo do Parque Vista Alegre. O motorista que pega uma delas pensando que vai sair em determinado lugar pode acabar saindo longe de onde queria.

“O Parque Vista Alegre é um bairro antigo. Normalmente, quem circula por lá conhece bem as imediações”, pondera Segamarchi.

Mas Ramalho salienta que essas ruas foram projetadas em forma circular por uma questão topográfica. â€œÉ uma área muito íngreme, por isso, quem projetou o loteamento com ruas circulares só estava preocupado em quebrar a força das enxurradas. É uma questão de drenagem”, comenta.

Segundo eles, equipes da Emdurb estão sempre estudando e avaliando possibilidades de melhorar o tráfego nas vias urbanas. “E é interessante quando alguém chama atenção para um ponto que considera crítico, porque como trabalhamos com isso o tempo todo, coisas que nos parecem óbvias não são para os leigos e precisam ser revistas”, encerra Ramalho.

Ruas e números

A numeração dos imóveis nas vias urbanas segue padrões normalmente simples e claros. Em Bauru, o primeiro número indica a quadra e o segundo indica a posição da casa na quadra.

Mas na rua Bernardino de Campos não é bem assim. Quem procura por um imóvel entre as quadras 8, 9 e 10 pode ficar confuso. Numa mesma quadra é possível encontrar numerações diferentes e as diferenças se repetem quando as lados direito e esquerdo da via são comparados.

â€œÉ um transtorno enorme”, comenta a dona de casa Neiva Scotuzzi. A casa onde mora é a única com número nove do lado da via onde os imóveis recebem numeração oito. Olhando para o imóvel da frente, o número também é nove. “Mas é um horror. O carteiro não localiza minha casa. E quando peço água ou gás, eles não chegam. Não chega nada aqui”, reclama.

A moradora conta que mudou há pouco tempo para Bauru e todas as suas correspondências vêm de Campinas. “Não recebo nada. Até as contas de luz e água eu tive que pôr no endereço do proprietário da casa, porque não chegavam aqui. Pedi a instalação de um telefone e vieram instalar na casa vizinha. E eu tinha que vir morar justo nesse miolo tão confuso”, ressalta.

Segundo ela, a informação que obteve é que dificilmente a prefeitura alterará a numeração, pois isso implicaria em troca de documentos e cadastros, o que geraria ainda mais tumulto.

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