Regional

Cantor lírico é ‘embaixador’ da cidade no Exterior

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

“Aqui é minha terra, meu ninho. Eu sinto que volto para me recarregar de energias, porque a terra natal é que me dá sustentação. Jamais deixaria Agudos, uma cidade que sempre me apoiou”. É desta maneira que o cantor lírico Emilson Carmo Barbosa, mais conhecido por Carmo Barbosa, se manifesta sobre a cidade em que nasceu.

O morador ilustre, que atualmente passa pouco tempo em Agudos, é professor de canto e repertório no Japão, Espanha, Bélgica, Holanda e México. Para ele, a cidade perdeu a sua característica cultural com o passar dos tempos. “Eu lamento que os interesses tenham mudado. No meu tempo de infância, haviam três clubes e eventos culturais todos os finais de semana.”

Ele lembra com saudade do tempo em que a praça ficava cheia para ouvir a banda tocar. “Há muito tempo não ouço falar que a banda tenha tocado. No passado, era constante, tinha a banda Andreotti, onde meus tios e avô tocavam.”

Para ele, a movimentação cultural da cidade sofreu um processo normal que vem ocorrendo na maioria das cidades. “Agudos era voltado para a cultura e a arte. Meu avô, um imigrante italiano, foi o primeiro empresário do cinema. Aqui passaram filmes famosos.”

A mãe do cantor lírico cantava na igreja e era a Verônica nas procissões. “A movimentação cultural era tão grande que artistas famosos da época, como Angela Maria, estiveram na cidade. Eu nasci no meio da música.”

Ele lamenta que na cidade não tenha um cinema. “Não temos um cinema funcionando. Sinto falta disso e acho que a população necessita de eventos culturais. Por outro lado, a cidade está mais organizada, mais limpa, o ônibus é grátis,” elogia.

Como cantor lírico que já se apresentou junto com Plácido Domingo e Luciano Pavarotti, Carmo Barbosa se coloca como um “embaixador” de Agudos no Exterior. “O nome de Agudos está no meu currículo e me orgulho de falar sobre a minha cidade natal, onde nunca me apresentei porque falta infra-estrutura.”

O mais premiado cantor lírico que o Brasil já teve foi convidado a cantar na abertura dos trabalhos da ONU em 1986. Desde 1985 ele vem se apresentando nas mais importantes montagens líricas brasileiras, dentre elas “Aida”, “O Barbeiro de Sevilha”, “Tosca” e “O Navio Fantasma”. Foi o principal solista nas premières nacionais das óperas “Yerma”, de Villa Lobos, e “Artemis”, de Alberto Nepomuceno.

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