Regional

Cidade já foi marco do café no século 20

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Agudos já foi destaque no cenário paulista como zona cafeeira na primeira década do século 20. Os desbravadores vieram para cultivar o café, visando a Serra dos Agudos, que tinha tudo o que eles precisavam para este tipo de cultivo, lembra Maria Helena Napoleone Cardia.

De acordo com ela, que é um misto de professora e historiadora, havia água boa, terras de primeira, altitude e era interessante economicamente. “Até Lençóis Paulista, as terras foram compradas através de Sesmarias. A terra arenosa de melhor qualidade, dá mais sacarose na cana e um tipo de café melhor.”

No auge do café, Agudos recebeu visitantes ilustres. “Diversos governadores e Júlio Prestes, que veio para a inaugurar o hospital. Ele foi almoçar na fazenda Val de Palmas.”

A fazenda São João foi a primeira sede rural da região de Agudos, Bauru, Piratininga. Ela pertencia ao coronel Delfino Alexandrino de Oliveira Machado, que foi o grande articulador político da cidade. “Ele não é propriamente o fundador, porque o fundador era aquela pessoa que doava terra para a primeira capela. O fundador foi Faustino Ribeiro da Silva. Ele tinha grandes extensões de terra nessa região, mas ele não se dedicava a um só lugar.”

Não foi o caso da família Cardia e Oliveira Machado, que veio para iniciar a cidade de Agudos e o ciclo do café nessa região. “O Delfino Alexandrino era sogro do Benedito Otoni que foi o primeiro prefeito. Otoni casou-se com a filha de Delfino que foi morar na fazenda São João em uma casa da administração, enquanto a sede da fazenda era construída.”

Para a construção foi necessário trazer os bugreiros. “Eram pessoas que vinham lutar com os índios, por isso que se chama rio Batalha. Foi ali que se deram as maiores batalhas entre bugreiros e índios, no alto da Serra dos Agudos.”

Em seguida, vinham as pessoas que demarcavam as terras. “Essas pessoas andavam pelos rios, eram os caminhos da época. Eles começaram a vir pelo rio Lençóis e Batalha que se convergiu na Serra dos Agudos. No rio Serraria foi encontrado o melhor barro para fazer os tijolos.”

Comentários

Comentários