Esta me foi contada pelo saudoso professor Fróes, a respeito do sogro dele, pai da professora Nomésia e depois confirmada pelo próprio, quando fui a Iguape.
O pai de Nomésia tinha uma casa de carnes em Iguape e uma fazendinha nos arredores, onde criava seus boizinhos para corte.
Certo dia, dando por falta de uns dois animais, foi procurá-los na fazenda vizinha, onde logo os encontrou. Procurou o administrador da fazenda para pedir seus animais de volta, mas este, truculento, foi logo dizendo que não dava, que o patrão dele era poderoso e que seus bois estavam comendo ali no pasto e por isso ele tinha perdido o direito.
Logo ficou sabendo que o dono da fazenda era o então governador Adhemar de Barros. Como sempre fora ademarista, resolveu falar com o próprio Adhemar e a oportunidade surgiu logo mais, quando o governador foi fazer uma visita a Iguape, em companhia política para eleger seu sucessor e companheiro de partido.
O sogro do Fróes fazia parte do diretório local do partido ademarista e não foi difícil conseguir falar com o governador, a quem contou o caso e logo este determinou ao seu assessor mais próximo:
- Devolva os bois do homem e mande embora esse administrador que me difama. É capaz de alguém achar que sou também ladrão de gado.
- Mas doutor, o coitado do administrador tem dez filhos, um de peito, outro engatinhando, outro começando a andar, só os seis mais velhos é que estão na escola.
- Então, passa só um pito nele e... olha, vê se põe o homem para trabalhar de noite... (mandada por Isolina Bresolin Vianna)