Não existe fórmula para a administração pública dar certo. Mas também não existe segredo. Basta ao homem público ter ética em sua conduta e saber que está a serviço da população. Com esses ingredientes e somadas as competências de cada um já é possível ao homem público contribuir para o avanço da sociedade, seja ele vereador ou prefeito que vive o dia-a-dia do contato direto com a população nos municípios ou o presidente da República, o mais alto cargo da Nação.
A história sempre provou que os espertalhões que se alimentaram da coisa pública acabaram mal, embora tenham deixado atrás de si um rastro de prejuízos que afetam a vida de todos nós. No entanto, de toda crise política fica sempre uma lição boa: a de que o povo tem boas intenções, mas não é bobo. Não se deixa enganar por aqueles que entram para a vida pública com o objetivo de se beneficiar na vida particular.
Os recentes acontecimentos de Brasília só vêm comprovar isso. E por ser contrário a toda forma de corrupção, me mantenho firme na postura de que tudo que vem sendo denunciado deve ser apurado a fundo, sem limites ou restrições. É desejo da sociedade que os culpados sejam punidos dentro do rigor da lei.
E este é o momento exato para sociedade e classe política pensarem juntos no que é preciso fazer para modernizar a legislação eleitoral em nosso País. Faz-se essencial para o resgate da imagem do homem público e das instituições nacionais estabelecer novas regras, mais claras e atuais, para regerem o processo eleitoral brasileiro. Passar a política e o processo eleitoral brasileiro a limpo só faz contribuir para o engrandecimento do Brasil e do nosso povo.
Quanto à apuração rigorosa de cada fato novo - e nos últimos tempos tem surgido um fato novo a cada dia -, esse é um grande serviço ao País, pois fortalece e consolida nossa democracia.
Embora preferíssemos que esses problemas todos nunca tivessem acontecido - porque desgasta a classe política, a população e o País como um todo -, é um episódio que faz parte da democracia. Mas isso não quer dizer que temos que conviver com a política dos espertalhões do poder ou que concordamos com os desmandos cometidos por uma parte da classe política brasileira. Não. Estes políticos são nocivos para a sociedade e, como uma doença, devem ser extirpados do nosso meio. Nossa postura pessoal é de combate permanente à corrupção, esteja ela instalada onde estiver.
Essa é uma postura que sempre norteou minha vida pessoal e minha conduta política. É um princípio de cidadania que trago do berço em que nasci, que procurei transmitir para a administração pública por onde passei e que levo com orgulho para onde for.
Acredito na política ética e no combate aos vícios dos homens públicos como o único caminho para o Brasil crescer hoje e continuar crescendo no futuro. Abrir mão da política feita com ética e respeito ao cidadão seria, para mim, muito mais do que mudar radicalmente um modo de vida inerente à minha alma, seria rasgar minha história pessoal alicerçada na defesa do passado limpo, do presente exemplar e do futuro melhor para os meus e para os seus filhos. Isso eu não faço jamais. (O autor, Milton Monti, é deputado federal pelo PL e líder da bancada paulista no Congresso Nacional)