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Inclusão gradativa e segura


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No Brasil do dia-a-dia, que vive às voltas com as questões de inclusão social, mais um debate torna a ganhar corpo com a distribuição da cartilha “O acesso de alunos com deficiência às escolas e classes comuns da rede regular”, pelo Ministério Público Federal com o apoio do Ministério da Educação. Como o próprio título evidencia, a cartilha pretende promover a inclusão de alunos especiais em escolas comuns, assunto que divide opiniões e gera polêmica.

De um lado, estão os que acreditam ser a inclusão um estímulo à abertura da escola à diversidade, na medida em que possibilita ao deficiente estudar ao lado de outras crianças. De outro, alinham-se os que defendem que certos graus de deficiência inviabilizam a aprendizagem nas escolas regulares.

Polêmica à parte, os números mostram avanços da inclusão nas escolas, nessa área. Em seis anos - de 1998 a 2004 - saltou de 13% para 34% o percentual de crianças com deficiência matriculadas na rede escolar regular, o que equivale a 195 mil das 566 mil que estudam, de acordo com números da Secretaria de Educação Especial do MEC. No entanto, Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores de São Paulo (Apeoesp), em recente entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, coloca em debate um ponto muito importante: como dar atenção aos alunos especiais numa sala de aula com cinqüenta estudantes, principalmente diante das fragilidades da rede pública, como má formação de professores e projetos pedagógicos ultrapassados? Há quem responda dizendo que a chegada de um número maior de portadores de deficiência pressionará a escola a entender que a educação moderna respeita o ritmo de aprendizagem de cada aluno, independentemente do seu perfil.

O tema é delicado e o processo deve ser conduzido com competência e habilidade, para que uma boa idéia não se transforme num novo problema para as crianças portadoras de deficiência e suas famílias. É preciso redobrar os cuidados para que o processo de inclusão em massa não acabe se transformando num laboratório para testar propostas voluntaristas ou não bem fundamentadas tecnicamente. Ou, ainda, o que é pior: em vez de somar, ignore experiências bem sucedidas, prejudicando os resultados animadores que foram conquistados gradativamente, ao longo dos anos. De qualquer maneira, debates como esse são sempre bem-vindos, pois trazem à tona nuanças dos enredados cenários educacional e social brasileiros. Além disso, servem para dar visibilidade a experiências bem sucedidas, que poderão ter benéficos efeitos multiplicadores.

A experiência do CIEE, com seu Programa de Atendimento a Portadores de Deficiência, mostra que a inclusão de pessoas especiais no ambiente de trabalho não só é possível, como também tem boa recepção por parte das empresas. Há sete anos a organização faz esse trabalho, comprovando que toda inclusão é possível, desde que seja gradativa e realizada de acordo com as necessidades e potencialidades. De ambos os lados.(O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, diretor da Fiesp e presidente da Academia Paulista de História)

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