Cultura

Paulo Flores e Cambanda Jazz Combo

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Música instrumental brasileira e de qualidade é o que Paulo Flores e Cambanda Jazz Combo oferecem ao público de Bauru hoje à noite. O grupo se apresenta às 21h no auditório do Serviço Social do Comércio (Sesc) através do projeto Sesc Instrumental.

O compositor, arranjador e flautista Paulo Flores sobe ao palco com os músicos Cintia Piccin (flauta e saxofone), João Paulo Barbosa (flauta e saxofone), Richard Ferrarini (flauta e saxofone), Ana Rodrigues (piano), Xande Bueno (guitarra), Felipe Brizola (contrabaixo), Rodrigo Donato e Everton Rodrigues (bateria e percussão).

O repertório da apresentação mescla músicas do primeiro disco da banda, “Rumo Norte” (1998), e do segundo, que já foi gravado e deve ser lançado ainda este ano. “Tem um pouco dos dois. Do novo, tem coisas interessantes como uma parceria minha com o Paulo Freire. Em vez de um improviso, tem um causo que eu conto. Chama-se ‘Sexta’. Tem também uma letra que vai estar no disco, mas não vai ser cantada. Fala da mata, da floresta, dos bichos, dessa coisa mais mitológica”, explica Flores.

O compositor destaca, ainda, a música “Cuba”, que também está no segundo disco - ainda sem nome definido. É baseada em um poema do século 18 do cubano José Maria Herendia, que é declamado por Flores durante a execução.

Ele, que assina o arranjo de todos os instrumentos da banda, frisa que não há diferenças marcantes entre o primeiro e o segundo álbum da Cambanda Jazz Combo, mas que o novo trabalho é uma continuidade do anterior. “O trabalho que eu faço é muito brasileiro, cheio de ritmos brasileiros. Minha formação passa pela música erudita e pelo jazz, então está tudo dentro. A música é falar com notas, então tudo faz parte desse contexto - a literatura, o cinema, a paisagem, o sol, a culinária. Qualquer coisa faz parte do contexto de compor”, expõe Flores.

O flautista critica a discriminação da música instrumental no País. “Ela está longe da mídia e, portanto, longe do povo. Eu acho um absurdo. Minha linguagem é densa, cheia de informação, mas é mentira que o público não absorve. Eu toquei na semana passada em Jaú e foi ótimo. O problema não é do povo; é da indústria, que não percebe e fica enfiando todos num tipo de linguagem simplista que é mais barato produzir porque vende fácil. Mas a gente sempre tem esperança”, pontua.

Flores criou a Cambanda em 1992, dentro do curso de MPB e jazz do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí (SP) - instituição em que é professor.

• Serviço

Paulo Flores e Cambanda Jazz Combo hoje, às 21h, no Sesc. Ingressos a R$ 6,00 e R$ 3,00. O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações pelo (14) 3235-1750.

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