Tribuna do Leitor

Igualdade


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Analisemos uma situação: dois grupos contendores se digladiam. Denominemo-os de A e B. Essa contenda chega a se estender por alguns anos e, no final, o grupo A vence a contenda e descobre que o grupo B, na tentativa de ganhar ou mesmo por idealismo, matou centenas de milhares de pessoas. O grupo A monta uma enorme caça às bruxas, prende algumas pessoas, faz um julgamento público e chama cinegrafistas para filmar as atrocidades cometidas pelo grupo B. Acusa tal grupo de genocídio, assassinato, etc. Coisas normais em ganhadores de contendas. Logo depois, para terminar de vez com essa contenda (existem dissidentes que não se entregam), o grupo A joga duas bombas exterminadoras sobre esses dissidentes, matando, com isso, dezenas de milhares de pessoas. Ninguém diz nada. O grupo A é o ganhador oficial da contenda.

A pergunta que não quer calar: o grupo A é menos assassino que o grupo B? Tenho assistido nesta semana as cerimônias que lembram as duas bombas atômicas jogadas sobre duas cidades japonesas e tenho ficado cada vez mais pasmo com a imprensa internacional, que tanto tem condenado o nazismo pelo genocídio praticado contra os judeus e se esquecem de que os americanos fizeram a mesma coisa no Japão ao exterminar duas cidades onde moravam civis e que nada mais queriam do que levar suas vidas pacificamente.

Não estou escrevendo essas palavras para defender nazistas. Muito pelo contrário. O que eles fizeram ainda faz chocar quem vê as fotos e lê relatos da época. Mas também chocam as fotos e relatos da época do que foi feito no Japão pelos americanos. E até hoje ninguém, mas ninguém mesmo, disse nada contra ou mesmo os condenou por isso.

Se, em 1945, os alemães foram assassinos, e foram mesmo, os americanos não deixaram por menos e também o foram. Falta somente o reconhecimento mundial.

Paulo Sacconi Martinez

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